sábado, 4 de agosto de 2012

Curso de Formação - Rio de Janeiro - RJ Agosto/Setembro de 2012


Pilates: Uma visão atual na área da saúde


Meta do curso: Proporcionar aos profissionais da área da saúde uma nova visão sobre o mercado de atividade física e qualidade de vida, através de exercícios que conciliam condicionamento físico e terapia corporal com a finalidade de reequilibrar o corpo e cuidar de vários tipos de patologias músculo esqueléticas.

Podem participar do curso os profissionais e estudantes (a partir do 6°período) das áreas de Fisioterapia e Educação Física, e profissionais de áreas afins com consulta prévia à Metacorpus.



Local e data de realização: Rua Barata Ribeiro, 668 - Copacabana - Rio de Janeiro
Turma de Agosto/Setembro de 2012:
24, 25 e 26 de Agosto de 2012, Módulo I
31, 01 e 02 de Agosto/Setembro de 2012, Módulo II

Atenção! Ganhe 5% de desconto, fazendo sua reserva até 30 dias antes do início do curso

Carga horária: 120 a 200 horas/aula*
  • 80 horas/aula – 2 módulos teórico/práticos (de sexta a domingo em dois finais de semana)
  • 40 horas/aula - estágio supervisionado obrigatório
  • 80 horas/aula – estágio supervisionado opcional (sem custo adicional, desde que dentro do prazo)
* A hora/aula definida pelo MEC equivale a 45 minutos.
Prazo total para realização do estágio - 3 semanas para conclusão a contar da data inicial do curso, em dias de semana. 

O curso é ministrado de sexta a domingo, das 08:00 às 18:00. Durante os intervalos é servido coffee break. 

Conteúdo programático:
  • Princípios do Método
  • Avaliação Postural
  • Biomecânica dos Movimentos e seus diferenciais perante outras atividades.
  • Ações das cadeias musculares nos exercícios
  • Exercícios de Solo
    • Bola
    • Meia lua
    • Rolo
  • Exercícios nos aparelhos
    • Reformer
    • Cadeira
    • Wall unit
    • Trapézio
    • Ladder barrel
  • Exercícios para Propriocepção e Tração articular (Teórico-Prático)
  • Patologias
    • Abordagem Fisiológica e biomecânica
    • Principais patologias de coluna, ombro, quadril, joelhos, tornozelo
    • Indicações e contra-indicações dos exercícios
    • Estudos de casos clínicos reais
  • Técnicas para montar uma Aula
    • Objetivos
    • Diferenciação e adaptações dos exercícios
    • Dinâmicas de aulas com até 3 alunos
    • Público especial: Gestantes, Hipertensos, Atletas.
  • Associação de Técnicas de mobilização articular, kabat e RPG aplicadas ao Método Pilates.
  • Medicina preventiva
  • Como Montar um Studio
  • Estratégias de Propaganda e Marketing
  • Logística
  • Consultoria em Mercado de Trabalho
  • Avaliação


Equipe Ministrante: 
A Metacorpus possui uma equipe de instrutores altamente capacitados e treinados para ministrar os cursos em todo o país. Esses profissionais são selecionados entre os melhores do mercado, treinados e supervisionados pelos sócios-fundadores da Metacorpus, os fisioterapeutas Sérgio Machado e Michel Salgado, e escalados para cada um dos cursos. 

Instrutores supervisores:

Dr. Michel Henriques Salgado

  • Fundador e sócio da METACORPUS Studio Pilates
  • Fisioterapeuta do Inst. Nac. de Traumato-Ortopedia – INTO
  • Fisioterapeuta do Centro de futebol Zico de 2000 a 2002
  • Pós-graduado em Acupuntura
  • Formação em: Fisioterapia, Pilates, Kabat, Mulligan, Estabilização segmentar vertebral, Método Klein, Taping e Kinésio Tape.
  • Pilates: Pilates Method and Motor Control – ministrado por Debbie Creamer (MPA, SPA, APA, APMA)
  • RPG/RPM – José Luiz Zaparoli e Fabio Mazzola – Escola do Corpo

Dr. Sérgio Machado Cunha

  • Fundador e sócio da METACORPUS Studio Pilates
  • Formação em: Fisioterapia – Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação
  • Pilates: Pilates Method and Motor Control – ministrado por Debbie Creamer (MPA, SPA, APA, APMA)
  • RPG/RPM – José Luiz Zaparoli e Fabio Mazzola – Escola do Corpo Gestão na Saúde, séries ISO 9000, 9001, 9002 – Carlos Fajardo – Estácio de Sá
  • Ferramentas da qualidade e Índices de desempenho - Carlos Fajardo – Estácio de Sá
  • Curso de Chefia e Liderança – Renato Carneiro – UERJ
  • Trabalhos apresentados em Ergonomia e DORT - IBMR
A organização do curso se reserva o direito de substituir os palestrantes, sem comunicação previa, caso haja motivos de extrema necessidade. 

Informações Complementares 

Os participantes receberão material didático impresso e certificados quando da conclusão do curso. 

OBS: Os certificados só serão emitidos mediante o mínimo de 75% de freqüência, avaliação teórica e prática do conteúdo e o cumprimento total da carga horária de estágio supervisionado. 

*A Metacorpus se reserva o direito de cancelar o curso, caso não seja atingido o número mínimo de participantes. 


INFORMAÇÕES PARA O CURSO DE FORMAÇÃO:
  • DIEGO RAMON: diego@metacorpus.com.br
  • SILVANA SOUZA: silvanasouzafisio@hotmail.com

sábado, 28 de julho de 2012

O Método de Cadeias Musculares e Articulares de GDS: Uma abordagem Somática


A cada década surgem novas propostas para se trabalhar o corpo humano, dentre elas algumas valorizam uma visão holística do ser humano. Interessados em melhor conhecer e fundamentar as prerrogativas daquelas que procuram realizar uma abordagem mais globalizada do ser humano, pesquisadores americanos vêm estudando, através da abordagem somática, diferentes métodos, dentre eles Feldenkrais (Feldenkrais, 1977), Técnica de Alexander (Conable & Conable, 1992), Consciência Cinética (Saltonstall, 1988) e Eutonia (Brieghel & Müller, 1987). Apesar de cada um desses métodos apresentar peculiaridades e propostas próprias, possuem uma mesma concepção a respeito do ser humano, a de uma unidade complexa e perceptiva.
O método de CadeiasMusculares e Articulares de Godelieve Denys-Struyf propõe uma atuação terapêutica que tem por objetivo devolver o bem-estar perdido ou permitir aos interessados um maior conhecimento sobre si mesmo. Para isso, visualizou diversos aspectos do ser humano com intuito de, ao relacioná-los, ter uma compreensão mais ampla do mesmo. O objetivo deste ensaio é divulgar algumas das idéias defendidas por Denys-Struyf e relacioná-las à abordagem somática que segue dois caminhos: um de cunho filosófico e outro direcionado à fundamentação de práticas corporais dentro de uma temática holística.
O método de Cadeias Musculares e Articulares de Godelieve Denys- Struyf propõe uma atuação terapêutica que tem por objetivo devolver o bem-estar perdido ou permitir aos interessados um maior conhecimento sobre si mesmo.
Encontram-se vigentes, na atualidade, dois modelos de saúde: o biomédico e o holístico (Ramos,1994). O modelo biomédico predomina em todas as áreas da saúde desde o fim do século XIX, tendo como ênfase a pesquisa experimental, a nosografia e a determinação dos padrões fisiológicos de saúde (medidas de pressão arterial, temperatura e outros).
Busca-se uma etiologia específica para cada doença, bem como o uso de laboratórios e tecnologias avançadas, o que vêm permitindo um avanço constante na descoberta de tratamentos e na identificação de novas patologias
Com o surgimento de áreas especializadas houve a fragmentação do ser humano em sistemas relacionados, porém relativamente independentes, fato esse que distanciou os profissionais do território unificado da saúde humana. 
Na segunda metade do século XX, surge o modelo holístico, que procura abordar o ser humano como um todo, pois considera os sistemas interdependentes. Esse modelo está vinculado a paradigmas pós-positivistas e os métodos de pesquisa utilizados são normalmente qualitativos, onde os resultados não são generalizados, mas concebidos e estudados em profundidade. Segundo Pietroni, a palavra holismo foi usada primeiramente no livro de Smuts Holism and Evolution em 1928, para descrever as filosofias que levam em consideração os sistemas como um todo e não somente as suas partes. Smuts sugeriu que é importante
estudar a maneira como as partes estão relacionadas, da mesma forma que é fundamental estudá-las separadamente.
Nos Estados Unidos, na década de 70, pesquisadores envolvidos com questões corporais se vincularam ao modelo holístico e desenvolveram o que hoje é conhecido como Hanna (1988) privilegia a perspectiva
da primeira pessoa, pela qual a ênfase é dada às percepções internas do indivíduo, ou seja, ao corpo vivo, ao corpo abordado de dentro para fora, favorecendo a tomada de consciência do indivíduo. Na abordagem tradicional, valoriza-se a perspectiva da terceira pessoa, de fora para dentro, predominando as percepções
do terapeuta. Johnson (1992) considera que isso se deve ao avanço da Medicina e das áreas de especialização, na qual a responsabilidade e o saber sobre nossa saúde e bem-estar foram entregues ao profissional da saúde; desconsiderando-se, assim, as percepções do indivíduo. Ele também considera necessário que essa visão mude, de maneira que o "paciente" tenha voz ativa em relação ao seu corpo,
e que no processo terapêutico ambos assumam ter conhecimento sobre o que está sendo avaliado.
Como destaca Kleinman (1990), a somática valoriza nossa fonte essencial de conhecimento: nós mesmos.
No livro Viver Holístico, Pietroni (1988) ressalta que medidas preventivas são mais eficazes e menos perigosas que as terapias "curativas" e "recuperadoras". Gomez (1988b) enfatiza que a prática somática permite, através das vivências corporais, o despertar das sensações internas e da consciência cinestésica,
e, por conseguinte, o controle e a ativação dos mecanismos de auto-regulação corporal que evitam o surgimento de patologias.
Quando o corpo é considerado um objeto separado do sujeito, tal qual ocorre no paradigma cartesiano, não é válido acessar a subjetividade do outro; mas, na abordagem somática, que se vincula a paradigmas pós positivistas e métodos qualitativos, a subjetividade passa ao status de fonte de dados. Em relação ao corpo, é abordado como um mediador, pois, como afirma Luijpen (1973), não temos um corpo, e sim somos um corpo; assim, não se separa objeto e sujeito, mudando-se a maneira de compreender essa unidade. Em suma, a abordagem somática pretende:

[1] solicitar o discurso e ação na primeira pessoa do singular; 
[2] promover a consciência corporal; 
[3] reeducar os padrões habituais de movimento; 
[4] promover a saúde e o bem-estar; 
[5] utilizar técnicas e práticas somática; 
[6] enfatizar a unidade corpo-mente;
[7] embasar-se nos paradigmas pós-positivistas e pós-modernos.

A Fisioterapia tradicional, vinculada ao modelo biomedico, trata o corpo de forma segmentar, ou seja, tenta solucionar as alterações e patologias neuro-músculo-articulares apenas pela visualização da "parte" afetada e do "problema" a ser solucionado. Incluso nesse modelo está o fato de o corpo ser tratado como um sistema independente de questões subjetivas e que, com poucas restrições, responde às leis físico-químicas, tal qual ocorre com as máquinas. Na busca de novas formas de atuação, surgiram, principalmente a partir da década de 60, métodos alternativos de tratamento fisioterápico, com os quais se procura atuar sobre o corpo como um todo, ou seja, visualizando-se o conjunto e não somente o segmento em sofrimento. Entre eles, o método de Cadeias Musculares e Articulares tem sido estudado e utilizados por profissionais da
área no Brasil e, como os métodos citados no início deste ensaio, são concordantes com as prerrogativas da abordagem somática.

O MÉTODO DE CADEIAS MUSCULARES E ARTICULARES

Desenvolvido pela fisioterapeuta belga Godelieve Denys-Struyf (1991), o método de Cadeias Musculares e Articulares estruturou-se com base nos pressupostos teóricos dos métodos de Facilitação Neuromuscular
Proprioceptiva, Mezierista e de Coordenação Motora. A noção comum entre eles é a de solidariedade
muscular fundamentada na fisiologia do tecido muscular, o qual deve ser entendido como uma entidade funcional constituída de um conjunto indissociável: o tecido conjuntivo fibroso (isto é, aponeuroses, tendões,
tabiques intermusculares e intramusculares, etc.) e o tecido contrátil, incluído no tecido fibroso. Não existem contrações de músculos isoladamente, mas uma cadência de movimentos que se expande pelo corpo; assim recorre-se ao corpo inteiro quando do tratamento de uma região específica.
O Método de Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP), desenvolvido por Kabat na década de 50, foi o primeiro a considerar a solidariedade muscular como forma de reestruturação do movimento, utilizando combinações de movimentos que estavam relacionados aos padrões primitivos e ao emprego de reflexos de postura e de endireitamento. Sua intenção era promover ou precipitar a reação de mecanismos neuromusculares através da estimulação dos proprioceptores (Voss, Ionta e Myers, 1987).
Segundo Shambes & Campbell (1973), os pesquisadores Kabat, Knott e Voss, após extensivas observações de atividades de vida diária, identificaram padrões de movimento específicos que acreditavam formar os substratos básicos ou linguagem do movimento humano. Esses movimentos raramente, talvez nunca, ocorriam em planos cardinais puros de flexo-extensão ou abdução-adução, e sim em planos diagonais-cruzados, parecendo ser essa a estrutura de base para construção de movimentos coordenados. Como o alinhamento topográfico das inserções musculares distais e proximais se apresentam de modo diagonal cruzado, foi defendida a ideia de que a função muscular ótima é obtível através de contrações musculares em direções diagonal e rotatória.
O método de Coordenação Motora, de Piret e Béziers (1992), desenvolvido na década de 60, compartilha com as colocações do método FNP, pois defende a idéia de que, subjacente à variedade de movimentos do indivíduo normal, há um movimento de base inscrito na anatomia humana; denominaram-no de movimento fundamental e supuseram-no vinculado à ação de certos músculos biarticulares.
Na opinião dessas autoras, tais músculos são organizadores do movimento porque desencadeiam, através do reflexo miotático, a contração dos músculos subsequentes, monoarticulares, assegurando o início
do trabalho dos mesmos. Sustentam também que os gestos desencadeiam uma determinada tensão nos segmento corporais que, por sua vez, induzem a uma determinada torção em cada segmento, influenciando a estrutura e a forma do corpo, além de estarem associados à estrutura psíquica do indivíduo. Pode haver uma desorganização do movimento fundamental, quando o gesto é realizado de forma inadequada, desorganização essa capaz de Movimento.
Na abordagem tradicional, valoriza- se a perspectiva da terceira pessoa, de fora para dentro, predominando as percepções do terapeuta.
O método Mezierista, desenvolvido por Mézières na década de 60, salientou a idéia de solidariedade muscular através da noção de que um segmento em sofrimento é tão-somente a expressão particular de um conjunto de anomalias, sendo que a causa deve ser tratada em níveis frequentemente muito distantes do problema que preocupa o paciente. Segundo Denys-Struyf (1995b), Mézières considerava que a causa primária das deformidades eram as lordoses, e estruturou seu trabalho com base na tensão existente nos músculos posteriores responsáveis pela manutenção da postura estática os quais chamou de cadeia muscular
posterior juntamente com os músculos rotadores internos da coxo-femural e o músculo diafragma. Para tratar essas alterações, fazia-se necessário alongar a cadeia posterior inteira, não adiantando alongar apenas um dos músculos desse conjunto, pois, se assim se fizesse, haveria compensações e, com isso, não se atingiria a principal causa do problema. Denys-Struyf (1991,1995a), concordante com os pressupostos dos métodos citados acima, desenvolveu seu próprio método, porém, diferentemente dos seus precursores, sua
proposta foi de desenvolver uma abordagem mais individualizada da mecânica humana.
Ademais, interessou-se em relacionar os constituintes psicológicos, a estrutura corporal do indivíduo e suas influências no processo terapêutico. Pelo estudo minucioso das formas do corpo humano, chegou à teoria de que haviam cinco biotipologias de base que deveriam ser consideradas na avaliação e na conduta terapêutica. Dez unidades de complexo muscular foram por ela conceitualizadas cinco de cada lado do corpo, indo da cabeça às mãos e aos pés, conhecidas por Cadeias Musculares, ou Cadeias de Tensão Miofascial. Essas cadeias foram definidas como um conjunto de músculos solidários entre si pelo fato de encontrarem-se interligados por aponeuroses e serem recrutados, em sequência, pelo reflexo miotático. Elas determinam, assim, a interdependência de todas as partes do corpo. São designadas de acordo com seu posicionamento no corpo: ântero-mediana (AM), póstero-mediana (PM), póstero-anterior- ântero posterior (PAAP), ântero-lateral (AL) e póstero-lateral (PL) .
Denys-Struyf (1991, 1995a) dividiu as cinco cadeias musculares em dois grupos, de acordo com a ação predominante dos músculos que as compõem; também relacionou a gestualidade e a postura corporal com as características psíquicas de seus pacientes, pois observou que a dominância de uma determinada cadeia muscular correspondia, normalmente, a uma atitude psíquica específica. Em resumo, pode-se dizer que:
• Um grupo, com ação predominante no tronco e associado à personalidade do indivíduo, é representado pelas cadeias musculares AM e PM (constituídas por músculos responsáveis pela manutenção da postura estática) e PAAP (constituída por músculos responsáveis pelos movimentos dinâmicos, dando ritmo e equilíbrio às precedentes). A cadeia muscular AM está associada a um sentimento instintivo, durável, imutável. A atitude determina orientação ao ego, à vida vegetativa e às sensações.
A cadeia muscular PM está associada ao conhecimento racional e analítico, à conquista do saber. A atitude determina situação de descoberta do espaço fora de si. A cadeia muscular PAAP está associada a um sentimento móvel e instável, sobretudo a noção de "reação", ponto de partida para o dinamismo e a ação.
• Outro grupo, com ação predominante nos membros e associado à relação do indivíduo com o meio circundante, é representado pelas cadeias musculares AL e PL, que são essencialmente dinâmicas e estão unidas à cadeia muscular PAAP pelos músculos do tronco.
A cadeia muscular PL está relacionada à extroversão, à exteriorização dos estímulos. A cadeia muscular AL está relacionada à introversão, à interiorização dos estímulos. O movimento advindo da coordenação motora das cinco cadeias musculares não engendra uma forma perfeita, mas uma postura preferencial, na qual o gesto, por sua modalidade e sua repetição, pode determinar uma atividade mais importante numa das cadeias. O excesso de tensão numa cadeia muscular pode conduzir à deformidade, e a forma incorreta é o sinal da desorganização. Quando uma cadeia muscular domina dada região, essa é marcada com um sinal que lhe é próprio e que a caracteriza em relação às outras. A supressão total das dominâncias é impossível, pois as mesmas mantêm o gesto e a postura preferencial como sendo a base da biotipologia. Entretanto, os excessos que conduzem à desorganização das unidades funcionais e à deformação não só podem como devem ser mitigados. O psiquismo deixa seu sinal na modalidade do gesto, ou seja, marca as formas do
corpo, tendo em vista que é do gesto que nasce a forma. Outro fator influente na atividade de uma cadeia muscular, porém de outra natureza, está relacionado às vivências da pessoa: esporte, trabalho, sedentarismo, traumatismos, intervenções cirúrgicas etc.
A biotipologia é a resultante entre as características genéticas e a vivência do indivíduo. A avaliação minuciosa da postura em pé, da gestualidade, da morfologia e da biomecânica, juntamente com a verificação do comprimento das cadeias musculares, permite identificar as hiperatividades, as carências e as discordâncias existentes no sistema neuromúsculo-esquelético, fornecendo a chave para sua reorganização. Assim, o tratamento requer a avaliação de todo o corpo e dos aspectos subjetivos envolvidos.
A falta de elasticidade nos músculos que compõem uma cadeia muscular pode ser acarretada por um excesso de atividade muscular devido a fatores externos (traumatismo) ou internos (psicomotor). Caso surjam daí movimentos descoordenados e persistentes, a cadeia dominante pode fixar deformidades corporais.
No contexto do Método de Cadeias Musculares e Articulares, a análise começa pela observação da expressão em pé, ou seja, como e onde se dá o equilíbrio na posição em pé natural.
No plano sagital, encontramos três formas básicas de equilíbrio de acordo com a cadeia muscular predominante em relação ao fio de prumo": 
[1] o deslocamento anterior (do corpo inteiro ou de alguns segmentos) se deve a uma tensão da cadeia muscular PM; 
[2] o deslocamento posterior (do corpo inteiro ou de alguns segmentos), corresponde a uma tensão da cadeia muscular AM; 
[3] a manutenção dos segmentos na linha do fio de prumo, ou seja, alinhados verticalmente, representa a predominância da cadeia PAAP.

Em relação ao plano frontal, o indivíduo pode mostrar-se basicamente de duas maneiras:
[1] com um corpo fino, estreito (tendendo a se "fechar"), que representa a tensão da cadeia muscular AL ou [2] com um corpo largo (tendendo a se "abrir") que representa a tensão da cadeia muscular PL. A partir dessa e de outras leituras da postura, do gesto e das formas do corpo, Denys-Struyf (1991,1995 a) propõe um método que possibilite a regularização das tensões musculares pela utilização psicocorporal mais consciente (principalmente da estrutura osteoarticular), pela ginástica e pela modelagem e ajustamento osteoarticular. Considerando que cada indivíduo apresenta peculiaridades que o caracterizam, diferenciando-o dos demais, sugere que o caminho terapêutico e as técnicas a serem utilizadas sejam propícias a essas necessidades. A única conduta que considera válida para todos, e que vai de encontro ao método de FNP e Coordenação Motora, são os movimentos espiróides que possibilitam uma ação sincrônica das cinco cadeias musculares.
O método de Cadeias Musculares e Articulares busca entender o ser humano dentro de uma perspectiva diferente da tradicional (que pode ser denominada de modelo biomédico), ou seja, diferente daquela em que o enfoque está nas generalizações, no estudo partimentalizado do ser humano e na perspectiva da terceira pessoa (a do especialista).
Com o propósito de compreender e conhecer mais a respeito do movimento do corpo humano, o Método de Cadeias Musculares e Articulares opta por não fragmentá-lo na abordagem terapêutica; além disso, valoriza a participação do sujeito no processo terapêutico com o intuito de torná-lo consciente do trabalho
realizado e possibilita-lhe uma aprendizagem e o conseqüente domínio do eu corporal. Para tal, são enfatizadas técnicas corporais que harmonizem o indivíduo pela mobilização e alongamento do tecido miofascial e desenvolvam a percepção corporal. Procura-se também compreender o movimento através de sua funcionalidade, evitando-se uma abordagem de músculos isolados.
O Método de Cadeias Musculares e Articulares opta por não fragmentá-lo na abordagem terapêutica; além
disso, valoriza a participação do sujeito no processo terapêutico com o intuito de torná-lo consciente do trabalho realizado e possibilita-lhe uma aprendizagem e o conseqüente domínio do eu corporal. autônomo e capaz de prevenir problemas posteriores.
O indivíduo deve ter consciência da sua gestualidade e utilizá-la adequadamente, caso contrário, poderá criar alterações na sua estrutura corporal e expandi-las por todo o corpo através das interligações do tecido conjuntivo, causando problemas ou patologias que influenciarão a sua unidade.
No Método de Cadeias Musculares e Articulares, há uma proposta de análise da biotipologia que auxilia o terapeuta a compreender a estrutura psicocorporal do indivíduo.
Na abordagem somática, a ênfase é dada ao discurso e ação na primeira pessoa do singular.
Esses dois aspectos enriquecem o processo terapêutico e, por isso, devem ser utilizados; o primeiro, porque traz mais subsídios ao terapeuta para compreender o sujeito; o segundo, porque solicita uma participação ativa desse no tratamento. Qualquer abordagem terapêutica que não inclua a visão somática (primeira pessoa) e a visão fisiológica (terceira pessoa) é enganosa. O indivíduo pode tornar-se vítima de forças físicas e orgânicas, mas é também capaz de reagir e mudar a si mesmo. Assim, deve-se escutar o sujeito para perceber suas necessidades e ter conhecimento técnico para responder a tal demanda. "O ponto de vista somático complementa e completa a visão científica do ser humano, tornando possível uma ciência autêntica que reconhece a totalidade humana: tanto o lado do eu consciente e do eu responsável, como o externamente observável lado 'corporal' ".
Denys-Struyf participa da visão ao defender a idéia de que "o corpo é uma linguagem " e que o importante é estar em condições de ver, ouvir, compreender e responder às mensagens gestuais e posturais do indivíduo, pois essas são "palavras" que, se ouvidas e compreendidas, contribuem para aliviar o desconforto humano, podendo conduzir à reconstrução da unidade psicocorporal harmoniosa do indivíduo. Para tanto, defende um estudo minucioso da estrutura corporal do indivíduo e a participação do mesmo no processo terapêutico: "Além de uma abordagem mais individualizada, o método G.D.S. propõe a cada um, sobretudo, a possibilidade de CUIDAR DE SI MESMO". (Denys- Struyf, 1995a, p. 15)
No momento, é difícil afirmar se o método de Cadeias Musculares e Articulares, assim como seus percursores, tal qual são defendidos na atualidade, sejam vigentes por muito tempo, pois a tendência é haver uma evolução contínua de conhecimentos que podem ampliar ou refutar tais pressupostos. Porém, é inegável sua contribuição para construção de uma visão mais unificada do ser humano, tendência essa que é cada vez mais corrente nas diferentes teorias que intentam conhecer o humano, ainda tão complexo, para nós, na sua constituição.
Expandem-se, assim, a várias áreas relacionadas ao movimento em especial à Fisioterapia e à Educação Física as possibilidades de conceber e elaborar práticas corporais, na qual a individualidade e subjetividade do aluno/paciente são respeitadas, viabilizando por isso uma abordagem mais unificada e participativa do ser humano.

Fonte:
  • Adriane, V. O Método de Cadeias Musculares e Articulares de GDS: Uma abordagem Somática. Movimento - Ano IV - Nº 8 - 1998/1.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Corpo




"No conceito do método GDS, a reconstrução arquitetônica e geométrica do osso é primordial. Mme. STRUYF nos aconselha a visualizar regularmente a forma e o comprimento do suporte ósseo, aos quais estão ligados os músculos, e o qual pode ser comparado a um instrumento musical. O trabalho corporal estimula o sistema nervoso que, de maneira reflexa, irá estender e coordenar as cordas musculares para tocar a melodia exata da sinfonia corporal.


"Não nos apossarmos da tomada de consciência de nossa estrutura óssea nos priva do essencial, assim corremos o risco de fragilizar uma região corporal em seu bom funcionamento." GDS. A visualização da forma dos ossos e das esferas oro-facial, torácica e pélvica, permite descobrir a sua organização, fruto de um desenvolvimento ancestral e arquetípico. Uma vez construídos e integrados pelo pensamento do paciente, este esquema ósseo poderá servir de edifício protetor e de suporte estratégico para facilitar a atividade e a utilização corporal "Bernard ValentinAutobiografia de um bípede - As cadeias musculares e articulares - Método GDS (pp.80-81) Ed. Insular



Renato Werneck

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Curso de Formação Metacorpus - Rio de Janeiro - RJ Julho/2012



Pilates: Uma visão atual na área da saúde


Meta do curso: Proporcionar aos profissionais da área da saúde uma nova visão sobre o mercado de atividade física e qualidade de vida, através de exercícios que conciliam condicionamento físico e terapia corporal com a finalidade de reequilibrar o corpo e cuidar de vários tipos de patologias músculo esqueléticas.

Podem participar do curso os profissionais e estudantes (a partir do 6°período) das áreas de Fisioterapia e Educação Física, e profissionais de áreas afins com consulta prévia à Metacorpus.



Local e data de realização: Rua Barata Ribeiro, 668 - Copacabana - Rio de Janeiro
Turma de Julho de 2012:
20, 21 e 22 de Julho de 2012, Módulo I
27, 28 e 29 de Julho de 2012, Módulo II

Atenção! Ganhe 5% de desconto, fazendo sua reserva até 30 dias antes do início do curso

Carga horária: 120 a 200 horas/aula*
  • 80 horas/aula – 2 módulos teórico/práticos (de sexta a domingo em dois finais de semana)
  • 40 horas/aula - estágio supervisionado obrigatório
  • 80 horas/aula – estágio supervisionado opcional (sem custo adicional, desde que dentro do prazo)
* A hora/aula definida pelo MEC equivale a 45 minutos.
Prazo total para realização do estágio - 3 semanas para conclusão a contar da data inicial do curso, em dias de semana. 

O curso é ministrado de sexta a domingo, das 08:00 às 18:00. Durante os intervalos é servido coffee break. 

Conteúdo programático:
  • Princípios do Método
  • Avaliação Postural
  • Biomecânica dos Movimentos e seus diferenciais perante outras atividades.
  • Ações das cadeias musculares nos exercícios
  • Exercícios de Solo
    • Bola
    • Meia lua
    • Rolo
  • Exercícios nos aparelhos
    • Reformer
    • Cadeira
    • Wall unit
    • Trapézio
    • Ladder barrel
  • Exercícios para Propriocepção e Tração articular (Teórico-Prático)
  • Patologias
    • Abordagem Fisiológica e biomecânica
    • Principais patologias de coluna, ombro, quadril, joelhos, tornozelo
    • Indicações e contra-indicações dos exercícios
    • Estudos de casos clínicos reais
  • Técnicas para montar uma Aula
    • Objetivos
    • Diferenciação e adaptações dos exercícios
    • Dinâmicas de aulas com até 3 alunos
    • Público especial: Gestantes, Hipertensos, Atletas.
  • Associação de Técnicas de mobilização articular, kabat e RPG aplicadas ao Método Pilates.
  • Medicina preventiva
  • Como Montar um Studio
  • Estratégias de Propaganda e Marketing
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  • Consultoria em Mercado de Trabalho
  • Avaliação


Equipe Ministrante: 
A Metacorpus possui uma equipe de instrutores altamente capacitados e treinados para ministrar os cursos em todo o país. Esses profissionais são selecionados entre os melhores do mercado, treinados e supervisionados pelos sócios-fundadores da Metacorpus, os fisioterapeutas Sérgio Machado e Michel Salgado, e escalados para cada um dos cursos. 


Para mais informações entre em contato com a equipe de instrutores Metacorpus Copacabana:
Diego Fernandes: diego@metacorpus.com.br 
Silvana Souza: silvanasouzafisio@hotmail.com

segunda-feira, 9 de julho de 2012

GDS



Este fim de semana passamos por uma experiência incrível, fizemos o curso de GDS, no fim ficamos mais apaixonados pelos ossos, músculos e articulações.
Estávamos namorando a ideia do curso há 2 anos, neste tempo compramos toda a bibliografia, fomos lendo devagar com carinho e agora finalmente conseguimos fazer, estamos completamente apaixonados pela técnica.
E seguindo as palavras de Renata Ungier de Mayor, sim  fomos mordidos pelo mosquitinho da GDS!
Quem é da área e que gosta das cadeias musculares, recomendamos este curso, equipe 100% comprometida, consegue nos fazer mergulhar nessa linda técnica e vivenciar um novo mundo com siglas e setas apontando para todos os lados, vemos um PA que traça um ideal, um AM que acolhe, um PM que olha para o futuro, um PL que se comunica, AL que mesmo voltado para si consegue ser sensual e um AP que traz alegria e une todos estes em comunhão com a pentacoordenação!

Muito obrigado a todos da APGDS!
Diego Ramon e Silvana Souza


terça-feira, 26 de junho de 2012

Morfologia e clínica da casa de força




A prática segura do Pilates, fundamentada cientificamente, pode prevenir  possíveis desconfortos lombares e promover uma melhor qualidade de vida. Diante dessa perspectiva, o presente estudo objetiva embasar  cientificamente os aspectos morfológicos, biomecânicos e clínicos envolvidos no controle da casa de força. Seus componentes musculares podem ser classificados como estabilizadores ou mobilizadores de acordo com aspectos anatômicos, fisiológicos e biomecânicos. 
Estes músculos compõem o sistema ativo de estabilização lombar, o que explica a importância da ativação da casa de força na prática do Pilates para manutenção da estabilização do tronco assim como a melhora ou prevenção de desequilíbrios musculares desta região. 
Por meio da base de dados do sistema Medline, foram pesquisados publicações periódicas e artigos indexados na área de saúde nos últimos dezessete anos. O levantamento bibliográfico através de livros textos refere-se às publicações atualizadas da literatura especializada. 
Novos trabalhos devem ser produzidos no intuito de enriquecer o método com bases teóricas e científicas sólidas. Dentre as diversas práticas de treinamento resistido, o Método Pilates surge como forma de proporcionar força, flexibilidade, controle postural, consciência e percepção do movimento. Está baseado em fundamentos anatômicos, fisiológicos, biomecânicos e possui seis princípios básicos que devem ser respeitados para sua correta aplicação. São eles: a respiração, a concentração, o controle, a precisão, a casa de força e o movimento fluido. 
O controle da respiração possibilita a organização do tronco através do recrutamento dos músculos estabilizadores da coluna vertebral e da cintura pélvica favorecendo o relaxamento dos músculos inspiratórios acessórios. Respirar corretamente nutre o corpo, elimina toxinas, contribui para melhorar a concentração e aliviar a tensão muscular. Existe um padrão de respiração que acompanha cada exercício. Os objetivos são diminuir o ritmo da respiração, aumentar sua profundidade e unir respiração ao movimento.
A total concentração da mente em relação ao movimento executado otimiza a percepção consciente da posição e dos movimentos das diferentes partes do corpo, consciência cinestésica favorecendo o controle do movimento. Este pode ser definido como o entendimento da atividade motora de agonistas primários em uma ação específica e caracteriza-se pela atividade consciente dos músculos envolvidos no movimento. Pilates chamou isto de Contrology (Contrologia), definida como a correta aplicação dos princípios das forças que atuam no corpo, com o conhecimento dos mecanismos funcionais e o entendimento dos princípios de equilíbrio e gravidade aplicados em cada movimento. 
A precisão de execução é empregada para melhorar a qualidade do movimento, fundamental para o treinamento do alinhamento postural. A precisão ajuda a combater padrões de movimento indesejados e diminuir o risco de lesões.
A casa de força constitui o pilar fundamental do método, uma vez que é composta pelos músculos que estabilizam a coluna vertebral e os órgãos internos. Pode ser denominada Cinturão de Força ou Powerhouse e se estende desde a base das costelas até a região inferior da pelve. O controle do centro de força proporciona a estabilização do tronco e alinhamento biomecânico com menor gasto energético.
A união dos princípios supracitados conduz ao último princípio fluidez do movimento ou integração de movimento que pode ser entendido como um movimento coordenado e com uma dinâmica específica. Segundo Romana Kryzanowska, o Método Pilates pode ser descrito como “um movimento fluído que emerge de um forte centro de força”. São movimentos contínuos e leves que absorvem de maneira suave o impacto.
Atualmente, observa-se grande difusão e aumento do número de adeptos do Método Pilates em todo o mundo, entretanto, há uma nítida carência de evidências científicas. Diante dessa perspectiva, o presente estudo de revisão bibliográfica objetiva embasar cientificamente os aspectos morfológicos, biomecânicos e clínicos envolvidos num dos princípios fundamentais do Método Pilates, o controle da casa de força. Por meio da base de dados do sistema Medline, foram pesquisados publicações periódicas e artigos indexados na área de saúde nos últimos dezessete anos, nas línguas português e inglês. O levantamento bibliográfico, realizado através de livros textos, refere-se às publicações atualizadas da literatura  especializada. No Medline, palavras-chave como powerhouse, postural control, contrology, balance, pelvic floor, abdominal muscles, transversus abdominis, diaphragm, trunk stability, respiratory muscles e suas similares em português, foram usadas isoladamente e em combinação na pesquisa. Após a análise do material bibliográfico, foram selecionados apenas os artigos de maior relevância para o objetivo proposto. 
Estabilização do tronco, A “Casa de Força” ou “Centro”
A casa de força é composta por cinco grandes grupos musculares de acordo com a região onde se encontram. São citados e descritos como músculos da região abdominal, o reto, o transverso e os oblíquos internos e externos do abdome. Constituindo a parede abdominal posterior ou região lombar são descritos os eretores e os transversos espinhais, os multífidos e o quadrado lombar. O grupamento extensor do quadril é composto pelos músculos glúteo máximo, isquiostibiais e a porção extensora do adutor magno. Os flexores do quadril compreendem os músculos iliopsoas, retofemoral, sartório e tensor da fáscia lata. A região do assoalho pélvico abrange os músculos transversos superficial e profundo do períneo, e o levantador do ânus que compreende as porções iliococcígea, pubococcígea e puborretal. Existem evidências de que os músculos do assoalho pélvico, o transverso abdominal (TrA) e o diafragma, quando co-ativados geram tensão nos elementos constituintes da casa de força, reforçando a função do controle postural da coluna vertebral. 
De acordo com suas características anatômicas, biomecânicas e fisiológicas, os músculos podem ser divididos em duas categorias: estabilizadores ou tônicos e mobilizadores ou fásicos.
Pesquisadores classificam os músculos em estabilizadores globais, estabilizadores locais e mobilizadores. 
Os estabilizadores são descritos como monoarticulares, profundos de contração excêntrica para o controle de movimento. Os mobilizadores são biarticulares ou multissegmentais, superficiais e trabalham essencialmente para aceleração do movimento e produção de força. O reto abdominal e as fibras laterais do oblíquo externo podem ser considerados como os principais mobilizadores, enquanto os oblíquos internos e o TrA são os maiores estabilizadores dos movimentos do tronco. Os estabilizadores primários são os músculos que não produzem movimento articular significativo, como os multífidos e o TrA. Os estabilizadores secundários, tais como os oblíquos internos têm uma excelente capacidade estabilizadora, mas, além disso, produzem movimento articular.
Os músculos que contribuem para a estabilização da cintura pélvica são divididos em dois grupos importantes: unidade interna e unidade externa. Os músculos da unidade interna abrangem os multífidos, o TrA, o diafragma e a musculatura do assoalho pélvico. 
Resultados de pesquisa recente fornecem evidências que os músculos diafragma e TrA, através de ações contínuas, contribuem para o controle da respiração e da postura. O diafragma intervém no domínio estático e dinâmico do tronco através da fixação do seu centro tendíneo, que age sobre a dobradiça toracolombar (T11, T12, L1, L2) permitindo o tensionamento dos músculos espinhais provocando aumento da lordose lombar. O TrA comprime a massa visceral contra os corpos vertebrais corrigindo a lordose. A contração simultânea diafragma-abdominais mantém a geometria abdominal.
Estudos demonstram que quando os músculos abdominais são fortemente recrutados, toda musculatura do assoalho pélvico é acionada. O pubococcígeo tende a contrair sinergicamente com o TrA; o iliococcígeo e o isquiococcígeo, com os oblíquos abdominais. Acredita-se que o reto abdominal esteja associado ao puborretal. A contração bilateral do iliococcígeo e do isquiococcígeo leva a contranutação do sacro; a contração do multífido leva a nutação do sacro. Juntos, o levantador do ânus e o multífido atuam como um par de forças para controlar a posição do sacro.
Quatro sistemas compõem a unidade externa: oblíquo posterior, oblíquo anterior, oblíquo lateral e longitudinal profundo. O sistema oblíquo posterior abrange os músculos grande dorsal, glúteo máximo e a fáscia toracodorsal interposta. Contribui de forma significativa para a transferência de carga através da cintura pélvica durante atividades de rotação do tronco e durante a marcha. As fibras inferiores do glúteo máximo auxiliam na extensão do tronco principalmente durante atividades vigorosas, tais como correr, saltar ou subir escadas. Esse músculo liga-se extensivamente à cintura pélvica, mesclando-se com o multífido ipsilateral através das lâminas superficiais da fáscia toracodorsal. A fáscia toracodorsal representa uma estrutura importante em relação à transferência de carga do tronco para os membros inferiores. 
Vários músculos responsáveis pela estabilização da cintura pélvica se ligam a essa fáscia e podem afetar a tensão no seu interior. Entre eles estão os músculos TrA, oblíquo interno, glúteo máximo, grande dorsal, eretor espinhal, multífido e bíceps femoral .
O sistema oblíquo anterior é formado pelos músculos oblíquos abdominais, adutores contralaterais do quadril e a fáscia abdominal anterior interposta. O sistema oblíquo lateral abrange os músculos glúteo médio e mínimo e os adutores contralaterais do quadril. Esses músculos são essenciais à função da cintura pélvica na posição ortostática e durante a marcha.O sistema longitudinal profundo inclui o eretor da espinha, a lâmina profunda da fáscia toracodorsal, o ligamento sacrotuberal e o músculo bíceps femoral. O bíceps femoral pode controlar o grau de nutação do sacro através das suas conexões com o ligamento sacrotuberal. 

Sistemas de estabilização lombar

Os discos intervertebrais, articulações zigapofi sárias e ligamentos constituem o sistema passivo. Os músculos e tendões adjacentes e atuantes na coluna vertebral compõem o sistema ativo. O sistema neural compreende os sistemas nervoso central e periférico que direcionam e controlam a atividade neuromotora, promovendo a estabilização dinâmica.
O modelo biomecânico proposto por Bergmark apud Hodges para manutenção da estabilidade lombar classifica os músculos como locais e globais. Os músculos locais são os multífidos, psoas maior, quadrado lombar, TrA e o diafragma que estão ligados às vértebras lombares diretamente e detém a habilidade de influenciar o controle inter-segmental. 
Os músculos globais, reto abdominal, oblíquo interno e oblíquo externo agem como acessórios ligados ao tórax e à pelve e têm a capacidade de controlar as forças externas que atuam na coluna vertebral.
Os multífidos têm como função auxiliar na extensão e flexão lateral da coluna vertebral ligando-se à lâmina profunda da fáscia toracodorsal na sutura que a separa do músculo glúteo máximo. As interconexões dos multífidos facilitam sua contribuição para a estabilidade da região lombar e da pelve.
O músculo reto abdominal é responsável pela flexão anterior do tronco, tracionando as costelas em direção à pelve; em conjunto com outros músculos abdominais, desempenha importante papel no controle postural. Os músculos oblíquos internos e externos são chamados de “cinturão natural” do corpo. Eles também são responsáveis pela flexão lateral e pela rotação da coluna vertebral.
Em estudo atual foi observada a ocorrência de dor nos músculos posteriores da coxa durante exercícios isométricos do tronco realizados até a exaustão, demonstrando o importante papel dos músculos extensores do quadril em auxiliar indiretamente os eretores espinhais na estabilização lombar e na prevenção de dor nesse segmento vertebral. 
A estabilização muscular ineficiente da coluna lombar resulta em aumento do risco de danos. Essa incapacidade pode ser resultante de desequilíbrios musculares caracterizados pelo encurtamento dos músculos eretores espinhais, flexores do quadril e a fraqueza dos abdominais e extensores do quadril. Para neutralizar as forças incidentes sobre as curvaturas da coluna vertebral, torna-se necessário o alongamento dos músculos eretores espinhais e flexores do quadril e o fortalecimento dos abdominais e dos extensores do quadril, promovendo melhor equilíbrio muscular.
Estudos demonstram que pacientes com dor lombar têm significante diminuição da força dos músculos estabilizadores e mobilizadores, determinantes da postura e movimentação da coluna lombar, além de redução da acuidade proprioceptiva e conseqüente dificuldade na percepção dos movimentos articulares. Desta feita, a execução de movimentos não fisiológicos predispõe às lesões na coluna vertebral. 
Dentro desta perspectiva, alguns estudos observaram alterações proprioceptivas durante o ato de sentar, na posição ortostática e de quatro apoios.
A fadiga dos músculos lombares interfere na habilidade de detectar a estática e a dinâmica da coluna lombar. Estudos fornecem evidências de que a coordenação dos músculos do tronco está alterada em pessoas com história de dor lombar, mesmo quando assintomáticas. Portanto, é importante considerar que estes indivíduos podem apresentar um risco maior de lesão pela estabilização muscular inadequada da coluna vertebral. Após episódio de dor lombar ocorre rápida e permanente atrofia dos músculos eretores espinhais. Todavia, através de exercícios de resistência isométrica é possível reverter a atrofia e reduzir recorrência da dor lombar.
Estudos indicam que o treinamento de resistência muscular dos extensores do tronco reduz a dor e melhora a função muscular em sujeitos com dor lombar subaguda e que o alongamento dos músculos paravertebrais é essencial para um posicionamento adequado da pelve e da coluna lombossacra na posição sentada.
De acordo com alguns autores o método Pilates deve ser preconizado no tratamento das disfunções do assoalho pélvico e na promoção da estabilidade do tronco. Uma vez que os controles iniciais do movimento da coluna vertebral são atingidos, alguns autores propuseram que Pilates é o método chave para manter e progredir a estabilização através de movimentos mais dinâmicos e funcionais.
Pesquisas comprovam que o método Pilates é eficiente no fortalecimento da musculatura do tronco, diminuindo desequilíbrios entre músculos extensores e flexores do tronco e reduzindo a probabilidade de lesões durante o exercício.
Investigando a atividade dos músculos abdominais superficiais, reto abdominal, oblíquo externo e reto femoral através de eletromiografia (EMG) durante exercícios de Pilates, verificou recrutamento significativo desses músculos, comprovando a eficácia do método na ativação da musculatura estabilizadora do tronco. 
A contração do músculo TrA em pessoas treinadas com Pilates, abdominais convencionais e grupo controle; concluiu que os exercícios preconizados pelo método proporcionam aumento da atividade profunda dos músculos abdominais e promovem manutenção do controle lombo-pélvico.
Estudos atuais comprovam a eficácia do Método Pilates na redução da dor lombar crônica através da ativação específica dos músculos estabilizadores da região lombo-pélvica.

Conclusão

Diante da análise feita neste estudo, observamos a importância de aprofundar o conhecimento sobre os aspectos morfofuncionais da casa de força, a fim de entender a relevância clínica deste princípio do Método Pilates no controle do equilíbrio da musculatura do tronco, diminuição da dor e melhora da função muscular. A prática segura dos exercícios preconizados por Pilates, fundamentada cientificamente, pode prevenir possíveis desconfortos lombares e promover integração mente-corpo, respeitando a singularidade e os limites de cada praticante e estabelecendo uma melhor qualidade de vida. É importante salientar que a aplicação clínica é ampla, desde que haja indicação adequada e participação ativa e consciente na execução dos exercícios. Todavia, novos trabalhos devem ser produzidos no intuito de enriquecer o método com bases teóricas e científicas sólidas.

Fonte:
  • Clinical and morpho functional aspects of the Pilates powerhouse method. Revista Fisioterapia Brasil, vol. 10, núm. 01, pag. 54.
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