segunda-feira, 18 de junho de 2012

Trabalho da mobilidade da coluna vertebral para o praticante avançado de fitness com a técnica de Pilates



A prática da atividade física evoluiu com a própria evolução do homem. O homem primitivo passou a lutar, caçar e fugir a fim de preservar a sua existência. Assim o homem à luz da ciência executa os movimentos corporais mais básicos desde que se colocou ereto: corre, arremessa, salta, trepa, empurra, puxa, etc.
Existem alguns fatos históricos no decorrer da civilização humana que talvez explique, em parte, a falta de exercícios específicos para melhorar a mobilidade da coluna vertebral. Durante o Império Romano e toda a idade média, os exercícios físicos ficaram restritos à função militar, incluindo, também, a caça e os torneios. A queda do Império Romano, por exemplo, foi muito ruim para a evolução da atividade física, principalmente com o crescimento do Cristianismo que, por sua vez, perdurou por toda a Idade Média, pois o culto ao corpo era considerado pecado, passando a ser cada vez mais reprimidos devido à comunidade altamente puritana não ver com bons olhos a atividade física.
Os exercícios beneficiados pela redescoberta dos valores gregos voltaram a despertar interesse maior só com o Renascimento. Mesmo assim, a ginástica como esporte, como conhecemos hoje, só se desenvolveu na Europa em meados do século XVIII. Mas só em 1829, na França, foi oficializada a atividade física denominada Ginástica Calistênica, sendo esta considerada precursora do Fitness. A Ginástica Calistênica revolucionou a atividade física do século XIX. Um dos pontos marcantes dessa modificação foi que essa modalidade passou também a incluir crianças, mulheres, obesos e idosos, onde antes eram excluídos.
A medida em que essa modalidade de ginástica foi evoluindo, era dada cada vez mais importância aos exercícios para os segmentos dos membros superiores e membros inferiores; enquanto que, a mobilidade da coluna vertebral era totalmente negligenciada. Quando o fitness surgiu na década de 80 houve a mesma linha de trabalho da Ginástica Calistênica, mantendo até a tendência de corpos musculosos, sem mobilidade de coluna vertebral, dando continuidade a essa ideia até os dias atuais.
Os profissionais de Educação Física começaram a se preocupar com a mobilidade da coluna em alunos praticantes de fitness, a partir das comparações realizadas com outras modalidades corporais, em especial o Pilates.
A técnica de Pilates apresenta uma grande importância tanto para os profissionais que trabalham com a abordagem corporal quanto para os alunos que realizam os exercícios. Esse método foi baseado em
diversas atividades (Yoga, mergulho, esqui, natação, boxe, etc) devido ao criador, Joseph Pilates, dessa
arte apresentar afecções osteomioarticulares quando criança. Ele tinha um propósito de melhorar a sua forma debilitada através do condicionamento físico, trabalhar o corpo da mesma maneira que uma pessoa sadia.
Apesar da técnica de Pilates ter quase um século de existência, só na década de 80 o sistema passou a ser utilizado pelos bailarinos, que começaram devido à técnica adquirir uma grande eficácia na recuperação de lesões. A exemplo do que aconteceu na Educação Física, a mobilidade da coluna vertebral também foi negligenciada na Dança e preocupados em executar movimentos sempre muito amplos, os bailarinos acabaram com a mobilidade da coluna vertebral prejudicada. Apenas alguns exercícios são ministrados em aulas de dança para a manutenção da mobilidade segmentar da coluna.
Um dos estudos mais interessantes acerca da técnica de Pilates foi realizado pelo fisioterapeuta americano Brent Anderson. Criador do método Polestar Pilates, chegou à conclusão que o Pilates deve ocorrer mobilidade da coluna vertebral em todas as direções onde os movimentos intersegmentares poderão auxiliar na manutenção da postura adequada.
Os movimentos articulados da coluna acabam por ativar o Centro de Força (Powerhouse), fazendo um bom suporte estrutural. Por enfatizar bastante o trabalho em torno do controle do centro de força, há uma maior facilidade na realização dos movimentos desejados, pelo meio da fluidez dos movimentos, da suavidade do gesto corporal e da leveza, permitindo que todas as partes do corpo trabalhem com segurança, consentindo,
assim, uma boa mobilidade da coluna vertebral.
Enfim, o método de Joseph ostenta o propósito de harmonizar o corpo, independente da idade ou condição física. As vértebras se mobilizam através da compressão e e deformação dos discos, e deslizamento dos ligamentos. A coluna vertebral faz movimentos de extensão, flexão, rotação e inclinação. A flexibilidade é a sua principal característica. As vértebras da coluna vertebral se articulam de modo a conferir, além de flexibilidade, estabilidade para a função de mobilização, postura e equilíbrio do tronco.
Os elementos contidos nesse trabalho pretendem explicar como e para que se deve melhorar a mobilidade da coluna vertebral dos praticantes avançados de atividades físicas realizadas em academias de ginástica (fitness), que apresentam flexibilidade, condicionamento cardiovascular e coordenação motora adequadas.
O motivo deste artigo para cogitar, prioritariamente, a mobilidade da coluna vertebral de praticantes avançados de fitness e não a de praticantes iniciantes e sem condicionamento físico da mesma modalidade é devido à falta de mobilidade da coluna vertebral em praticantes iniciantes e/ou com pouco condicionamento físico. Logo, se eles não sustentam uma boa condição física, também não conterá uma boa mobilidade da coluna vertebral.
Foram preconizados os seguintes exercícios e seus respectivos objetivos, durante as sessões das determinadas fases:

1ª fase:
Sereia (Wall): Mobilização e alongamento axial.
Gato ajoelhado (Wall ou Trapézio): Mobilização de coluna, controle do centro de força e alongamento axial.
Abdominal em 3 partes (Wall ou Trapézio): Mobilização de membros superiores e coluna vertebral.
Extensão de coluna (Wall ou Trapézio): Mobilização de coluna, alongamento axial e contração dos músculos abdominais mais profundos.
Pliés de pernas (Wall): Fortalecimento de membros inferiores.
Abraço unilateral (Reformer): Estabilização de cintura escapular, mobilização de membros superiores.
Série de braços sentada (Reformer): Fortalecimento de membros superiores, estabilização de cintura escapular e alongamento axial.
Série de pliés (Reformer): Fortalecimento de membros inferiores.
Sereia sentada (Reformer): Mobilização de coluna e estabilização de cintura escapular.
Flexão dorsal e plantar (Reformer): Fortalecimento e alongamento de tornozelo e panturrilha.
Desaceleração solear (Cadeira): Alinhamento e fortalecimento das extremidades inferiores.
Extensão da coluna (Cadeira): Mobilização da coluna vertebral, alongamento axial e estabilização dos membros inferiores.
Alongamento da coluna: Mobilização de coluna, alongamento da cadeia posterior, contração dos abdominais profundos e alongamento axial.
Elevação e depressão da escápula: Mobilização dos membros superiores e da coluna em extensão.
Roll up: Mobilização de coluna e fortalecimento dos abdominais.
Bicicleta: Alongamento de membros inferiores e fortalecimento dos abdominais.
Abdominal cruzado: Fortalecimento os oblíquos externos, cintura e centro de força.
Tesoura: Alongamento de membros inferiores.

2ª fase:
The hundred: Fortalecimento abdominal.
Série de ísquios tibiais: Fortalecimento de cadeia posterior.
The spine stretch: Mobilização da coluna vertebral, alongamento da cadeia posterior.
The saw: Mobilização da coluna vertebral, alongamento axial, contração dos abdominais profundos, integração das costelas com a pelve e alongamento da cadeia posterior.
Círculos com uma perna: Estabilização da pelve e dissociação do quadril, controle do tronco através da contração dos abdominais profundos.
Ponte no rolo: Estabilização dinâmica, mobilização de coluna e cintura escapular, fortalecimento de MMII, integração das costelas com a pelve.
Círculo do sol (Wall): Mobilização de coluna, alongamento de cadeia posterior e alongamento axial.
Roll over (Wall): Estabilização dinâmica, alongamento axial, mobilização da coluna.
Down stretch (Reformer): Estabilização dinâmica, alongamento axial, estabilização da cintura escapular e contração dos abdominais profundos.
Abdominal coordenation (Reformer): Estabilização dinâmica, alongamento axial e fortalecimento dos abdominais com coordenação de membros superiores e membros inferiores.
Círculos pélvicos: Alongamento axial, integração das costelas com a pelve, dissociação do quadril, articulação da coluna em flexão e extensão.
Série plataforma adutores e abdutores (Reformer): Alongamento axial, controle do tronco através da contração dos abdominais profundos e assoalho pélvico, fortalecimento de adutores, abdutores e
glúteos.
Castro Alves (Cadeira): Fortalecimento de MMII, equilíbrio e controle motor, alinhamento das extremidades inferiores, dissociação do quadril e alongamento axial.
V invertido (Cadeira): Estabilização dinâmica, fortalecimento dos abdominais profundos e da cintura escapular.
Sapo em decúbito lateral (Cadeira): Fortalecimento de adutores, abdutores e glúteos.
Elevador de braços (Cadeira): Estabilização dinâmica, alongamento axial, depressão das escápulas, alinhamento das extremidades superiores e fortalecimento de membros superiores.
Série de tríceps (Cadeira): Trabalho específico para os membros superiores.
Desaceleração solear (Cadeira): Trabalho específico para as extremidades dos MMII
Série de pliés (Cadeira): Fortalecimento de membros inferiores.

3ª fase:
Todos os exercícios da fase anterior
Rolling: Controle, equilíbrio, mobilidade do tronco, contração dos abdominais profundos.
Série de quadrúpede (Reformer): Coluna neutra, estabilização dinâmica, alongamento axial, contração dos abdominais profundos e depressão das escápulas.
Preparação para o teaser (Wall): Estabilização dinâmica, alongamento axial, contração dos abdominais profundos e fortalecimento dos flexores do tronco e do quadril;
Braços em T (Reformer): Estabilização dinâmica, alongamento axial, contração dos abdominais profundos e fortalecimento dos membros superiores.
Rowing (Reformer): Estabilização dinâmica, alongamento axial e mobilização do tronco com fortalecimento dos membros superiores.

4ª fase:
Mermaid: Estabilização dinâmica, alongamento lateral do corpo, fortalecimento dos abdominais profundos.
The hundred: Exercício de respiração que ativa a circulação sanguínea e aquece o corpo, fortalece o centro de força.
Roll up: Mobilização de coluna, alongamento dos ísquios tibiais e fortalecimento do centro de força.
Roll over: Mobilização, alongamento da coluna e fortalecimento do centro de força.
The double leg stretch: Exercício para fortalecimento dos abdominais, manutenção do centro de força e alongamento corporal.
Open-leg rocker: Estabilização dinâmica, fortalecimento do centro de força, mobilização e alongamento da cadeia posterior, massageando a coluna.
The corkscrew: Estabilização dinâmica, enfoque no centro de força, no alongamento da coluna e no equilíbrio corporal.
Alicate (Reformer): Estabilização dinâmica, controle e equilíbrio do tronco, fortalecimento dos MMSS e contração dos abdominais profundos.
Knee stretch round back (Reformer): Estabilização dinâmica, fortalecimento do centro de força e dos membros inferiores, mobilização da coluna.
Knee stretch (Reformer): Estabilização dinâmica, fortalecimento do centro de força e dos membros inferiores.
Long Spine (Wall): Estabilização dinâmica, mobilização de coluna, contração dos abdominais profundos e fortalecimento de toda a cadeia posterior.
Flyng eagle (Wall): Estabilização dinâmica fortalece membros superiores, mobilização de coluna e fortalecimento dos paravertebrais e controle do centro de força.
Série pés de águia no alto (Wall): Estabilização dinâmica, manutenção do centro de força, fortalecimento de membros inferiores, alongamento e mobilização dos membros inferiores e coluna, equilíbrio, controle e coordenação.
Up stretch (Reformer): Estabilização dinâmica, fortalecimento do centro de força, fortalecimento e alongamento da cadeia cinética anterior e posterior, mobilidade e alongamento da coluna.
Nado de peito (Reformer): Extensão de coluna, manutenção do centro de força, fortalecimento de ísquios tibiais, glúteos e paravertebrais, alongamento dos flexores.

Resultados
A aluna que começou o trabalho com a técnica de Pilates, não só melhorou a sua mobilidade da coluna vertebral como também minimizou alguns problemas físicos observados no começo do treinamento, demonstrando as seguintes modificações:
- Ombro direito menos elevado
- Bom alinhamento postural
- Leve hiperlordose lombar
- Redução da rotação do tronco para a direita
- Ótima flexibilidade da cadeia posterior
- Ótima flexibilidade de membros inferiores

Conclusão

Analisando o trabalho realizado pela aluna, pode ter visto que ocorreu a melhora da mobilidade de sua coluna vertebral através dos treinamentos preconizados. Além do benefício acima citado, foi verificada uma nova educação corporal global, responsável por uma melhor postura, uma boa condição neuromuscular. Ratificando, assim, a eficácia do método de Pilates e seus preceitos para uma condição física satisfatória de seus praticantes.

Referências:
  • Barbosa, F. Trabalho da mobilidade da coluna vertebral para o praticante avançado de fitness com a técnica de Pilates.




terça-feira, 12 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexão e extensão do tronco: efeito do método Pilates



O desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é um forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito do método Pilates sobre a função de extensores e flexores do tronco.
O método Pilates (nível intermediário-avançado) mostrou-se uma eficiente ferramenta para o fortalecimento da musculatura extensora do tronco, atenuando o desequilíbrio entre a função dos músculos envolvidos na extensão e flexão do tronco.
A incapacidade de estabilização da coluna vertebral causada pelo desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é um forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar. Atualmente, existem evidências que sugerem a inclusão de exercícios voltados para o fortalecimento dos músculos envolvidos na flexão e extensão do tronco nos programas de prevenção e reabilitação da dor na região da coluna lombar (lombalgia).
A lombalgia é um dos mais comuns problemas da sociedade moderna, representando grande parcela de gastos na área de saúde pública. Dados epidemiológicos demonstram que, nos Estados Unidos da América, a lombalgia é a causa mais frequente de incapacidade física para o trabalho em pessoas com menos de 45 anos. Estima-se que o gasto anual relacionado a esse problema (custos médicos e indenizações) ficou em torno de 20 bilhões de dólares durante a década de 90. A previsão para a próxima década é de que esses gastos superem 50 bilhões de dólares. A dificuldade de prevenção e tratamento da lombalgia é devida a sua etiologia ser multifatorial e também devido ao fato de que muitas das suas causas ainda permanecem desconhecidas. Frequentemente, a lombalgia está associada ao sedentarismo, sendo considerada uma das mais comuns doenças hipocinéticas. Apesar de evidências teóricas apontarem para a importância da atividade física na prevenção da lombalgia, não existem recomendações específicas para a elaboração de programas de treinamento na prevenção desse problema.
O método Pilates desenvolvido por Jopeph Pilates no início da década de 1920 tem como base um conceito denominado de contrologia.
Segundo Pilates, contrologia é o controle consciente de todos os movimentos musculares do corpo. É a correta utilização e aplicação dos mais importantes princípios das forças que atuam em cada um dos ossos do esqueleto, com o completo conhecimento dos mecanismos funcionais do corpo, e o total entendimento
dos princípios de equilíbrio e gravidade aplicados a cada movimento, no estado ativo, em repouso e dormindo. Os exercícios do método Pilates são, na sua maioria, executados na posição deitada, havendo diminuição dos impactos nas articulações de sustentação do corpo na posição ortostática e, principalmente, na coluna vertebral, permitindo recuperação das estruturas musculares, articulares e ligamentares particularmente da região sacrolombar. O sistema básico inclui um programa de exercícios que fortalecem a musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de flexibilidade da coluna, além de exercícios para o corpo todo.
Já no sistema intermediário-adiantado são introduzidos, gradualmente, exercícios de extensão do tronco, além de outros exercícios para o corpo todo, procurando melhorar a relação de equilíbrio agonista-antagonista. Uma vez que o método Pilates preconiza a melhoria das relações musculares (agonista e antagonista), o objetivo foi testar o efeito desse método de treinamento sobre o torque isocinético dos extensores e flexores do tronco medido a velocidade angular de 120 graus por segundo.
As sessões de treinamento, com duração média de 45 minutos, foram dadas em cinco turmas de quatro participantes por vez, em nível intermediário-avançado, usando-se aparelhos específicos do método: Reformer, Cadilac, Wunda-chair, Electric-chair, Pedi-pull, Barrel, Magic circles, bem como, exercícios sem aparelhos (Mat). A sessão de treinamento iniciou-se no aparelho Reformer, no qual foram realizados os seguintes exercícios: foot work series, the hundred, short spine massage, coordination, rowing, pulling straps, backstroke with reverse, teaser, short box series, long stretch, down stretch, elephant, stomach massage (round, hands back, reach up, twist), tendon stretch, semi-circle, chestexpansion, thigh stretch, arm-circles with variation, corkscrew, leg circles frog, knee stretch series, running, pelvic lift. Entre o exercício rowing e o pulling straps, foi realizado o exercício swan no aparelho Barrel. Subsequentemente, foram realizados os exercícios sem aparelhos (Mat): single leg stretch, double leg stretch, single straight, double straight, criss cross. Após os exercícios sem aparelhos (Mat ), foi utilizado o aparelho Wunda-chair com os respectivos exercicícios: pushing down with hands, pull up, balance control front, the table, teaser. Na sequência foi utilizado o aparelho Cadillac com os respectivos exercícios: leg circle, walking, beats, pull up hanging. A sessão foi finalizada no aparelho Pedi-pull, no qual foi realizado o exercício chest expansion seguido da série de Magic circles. Os exercícios para alongamento e fortalecimento dos extensores da coluna, realizados sem hiperextensão do tronco, são short box (round, flat side to side e tree); stomach massage (round, hands back, reach up, twist). Posteriormente, são introduzidos no sistema avançado os exercícios: rowing III, IV, V e VI. Já os exercícios introduzidos no sistema intermediário, com hiperextensão do tronco são: pulling straps I e II e swan on the barrel. E finalmente, os exercícios de fortalecimento do power house: stomach masage, short box, teaser, long stretch, realizados no Reformer; série dos abdominais do Mat (single leg stretch, double leg stretch, single straight, double straight, criss cross) e na Wunda-chair, os exercícios: pushing down with hands, pull e teaser.
Os indivíduos foram avaliados, antes e após as sessões de treinamento.
O funcionamento da coluna lombar de seres humanos é único. Em outros primatas, observa-se postura curvada para frente sem lordose. A lordose é frequente em quadrúpedes; entretanto, nesses animais a espinha não funciona sobre força axial, como em seres humanos, que mantêm a postura ereta. O músculo responsável pela manutenção da postura lordódica nos seres humanos é o multífido. A função desse músculo está relacionada à extensão do tronco. Tem sido demonstrado que a função do multífido está
prejudicada em pacientes com lombalgia. Por outro lado, a função dos flexores do tronco parece não ser alterada em pacientes com lombalgia, reforçando a maior importância da realização de exercícios para a musculatura extensora. O sedentarismo está diretamente relacionado ao enfraquecimento da musculatura envolvida na extensão do tronco e, consequentemente, é considerado fator de risco para a etiologia da lombalgia.
Em um recente estudo foi observado que pacientes com lombalgia apresentavam 40% de decréscimo na força de extensores do tronco em relação a indivíduos assintomáticos (grupo controle). Após o treinamento de força com ênfase nos extensores do tronco por oito semanas, os pacientes apresentaram ganho de 100% na força desses músculos em relação ao início do treinamento. Já no grupo controle o ganho foi de apenas 10% em relação ao valor inicial. Ainda nesse estudo foram realizadas imagens de ressonância magnética na secção transversa do multífido, que demonstraram que em pacientes com lombalgia foi detectada hipertrofia desse músculo após o treinamento. Uma limitação do presente estudo foi a falta do grupo controle, porém, de acordo com outro estudo, ficou comprovado que em indivíduos sedentários (grupo controle) o ganho de força foi insignificante em relação ao marcante aumento observado no grupo treinado. Os resultados demonstraram que em todos parâmetros avaliados (pico de torque, 25%; trabalho total, 30%; potência, 30%; e quantidade de trabalho total, 21%), foi constatado aumento significativo no valor pós-treinamento em relação ao valor pré-treinamento.
Outro estudo, também utilizando treinamento de força para músculos extensores do tronco, acompanhou 400 indivíduos que reportavam lombalgia por um ano. Após oito semanas de treinamento (duas vezes por semana), 80% dos participantes reportaram atenuação dos sintomas da lombalgia. Após um ano de estudo, houve apenas 11% de reutilização de serviços médicos devido à lombalgia.
Em um outro estudo de caso, reportou que o método Pilates foi eficiente no tratamento de uma paciente com escoliose. Nossos resultados demonstraram que o método Pilates foi eficiente em promover aumento em todos os parâmetros avaliados (pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total) durante a extensão do tronco em relação ao valor pré-treinamento. Além disso, também verificamos que esse aumento foi responsável pela queda na relação flexores: extensores em todos os parâmetros avaliados (pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total), aproximando-a do valor ideal considerado (equilíbrio entre flexores e extensores).
Com relação aos flexores foi detectada melhora discreta no trabalho total e na quantidade de trabalho total. Ao comparar indivíduos sedentários e treinados, foi constatado que a função dos flexores do tronco (torque, trabalho e potência) era semelhante, indicando que a musculatura flexora do tronco é menos suscetível à falta de treinamento. Através dos nossos resultados podemos constatar que a musculatura envolvida na flexão também foi menos responsiva ao estímulo do método Pilates. Apesar de existir uma crença de que o reforço da musculatura flexora do tronco (músculos abdominais) é uma prioridade nos programas de exercício e reabilitação da coluna lombar, evidências recentes não confirmam essa hipótese. Acreditava-se que o aumento da pressão intra-abdominal reduziria a compressão sobre a espinha e os discos intervertebrais, atenuando dessa forma a lombalgia. Entretanto, em uma recente revisão da literatura não foi possível comprovar essa relação entre aumento da pressão intra-abdominal e atenuação da lombalgia. Além disso, a pressão intra-abdominal não é aumentada durante a contração dos músculos abdominais. Também foi observado que o treinamento de força com ênfase sobre essa musculatura não foi eficiente em promover aumento da pressão intra-abdominal.
Existem evidências convincentes de que a realização de um programa de exercícios com ênfase no fortalecimento da musculatura extensora do tronco restaura a função da coluna lombar e pode prevenir o surgimento da lombalgia. O método Pilates (nível intermediário-avançado) mostrou-se eficiente para promover aumento do pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total dos músculos relacionados à extensão do tronco. Esses resultados indicam que esse método de treinamento pode ser utilizado como estratégia para o fortalecimento dessa musculatura, atenuando o desequilíbrio entre a função dos músculos envolvidos na extensão e flexão do tronco.

Fonte:

  • Inélia Ester Garcia Garcia Kolyniak, Sonia Maria de Barros Cavalcanti, e Marcelo Saldanha Aoki


domingo, 3 de junho de 2012

Hérnia de disco cervical tratada com fisioterapia




A dor de origem cervical que se irradia para o ombro, braço, mão, cabeça bem como no pescoço, é frequentemente resultado da irritação das raízes nervosas na região do foramen intervertebral, da invasão do leito vascular durante seu curso no canal vertebral, ou da invasão da medula no canal vertebral.
O mecanismo que origina a dor e a incapacidade na região cervical, pode ser considerado corno resultado do estreitamento do espaço ou de movimento defeituoso na região do pescoço, pela qual passam os nervos ou vasos sanguíneos.
A compressão da raiz nervosa por hérnia de disco cervical é pouco frequente. "Para entrar em contato com o nervo, o disco deve herniar para o espaço intervertebral e fazer protrusão em direção dorsolateral".
As complicações da hérnia de disco cervical incluem perda de sensibilidade, dor de cabeça, diminuição de força etc. Considerando que o mecanismo que origina a dor e as parestesias e, como consequência, incapacidade funcional de toda a região cervical, pode ser resultado do estreitamento do espaço ou do movimento defeituoso na região do pescoço, imaginou-se que uma das possíveis causas da dor pudesse
ser a retificação da coluna cervical. Assim, tanto nas curvas lordóticas acentuadas quanto nas retificações das curvas cervicais, existe a necessidade de um alongamento muscular localizado e global, uma vez que a compensação de um segmento leva a compensações em outras regiões do corpo. Neste estudo, quando o trabalho era realizado em decúbito dorsal, usou-se um rolo sob a coluna cervical no sentido de recriar a curva fisiológica perdida. O que se observou em outros pacientes é que o alongamento muscular não era suficiente para diminuir a sintomatologia referida, pois quanto mais se alongavam os músculos, mais se acentuava a retificação, não havendo diminuição dos sintomas referidos. Assim, a partir do momento em que se atentou para o uso do "rolo" durante as sessões e em casa ao deitar, houve um desaparecimento dos sintomas em poucos dias, sugerindo então uma atenção especial para um exame atento do paciente, e um RX comprobatório da situação da coluna cervical. A literatura pouco se refere à atuação da fisioterapia e da sua eficácia nos pacientes com hérnia de disco cervical. O artigo propôs um trabalho de fisioterapia visando melhorar a força muscular e o ganho de amplitude articular em pacientes com hérnia de disco cervical. Neste trabalho ele compara estes dois aspectos antes e após o tratamento de fisioterapia, obtendo resultados satisfatórios. Nos nossos pacientes não foi observada limitação de movimento, apenas a restrição imposta pela dor, que foi sanada a partir do momento em que esta foi eliminada. Assim, ao invés de melhorar a força muscular, optou-se por alongar as estruturas encurtadas em nível local e geral.
Este aspecto vem de encontro à afirmação de Méziêres, que na década de 50, já dizia que a questão não está na fraqueza da musculatura posterior, mas no excesso de força, sugerindo então que a solução seria soltar os músculos posteriores para que eles libertem as vértebras mantidas num arco côncavo. Assim, no nosso trabalho, foi feita a mesma analogia: ao invés de fortalecer músculos, optou-se por "soltar" os músculos que se achavam encurtados, objetivando com isso conseguir um alongamento das estruturas musculares. Entende-se por alongamento muscular, qualquer manobra terapêutica elaborada para alongar estruturas de tecido mole encurtadas. Sua indicação mais frequente refere-se à necessidade de alongar os encurtamentos, sempre que estes interferirem com as atividades da vida diária.
A avaliação da dor, dos sintomas de parestesia e diminuição da força muscular foi feita através do relato verbal dos indivíduos, que afirmaram terem estas desaparecido, mostrando-se satisfeitos com o retorno às atividades diárias sem restrição alguma.
Por isso a importância de um trabalho global, atuando no corpo com um todo, melhorando as distribuições de forças, organizando essas alterações, reeducando e aliviando as dores. Com a evolução o aluno pode passar para uma atividade que vai dar continuidade ao trabalho que foi realizado com fisioterapia, por exemplo o Pilates que não vai ter um trabalho específico da cervical, mas vai reeducar o movimento e postura da cabeça sobre o tronco, do tronco sobre a pelve, ajustando as curvaturas fisiológicas e completando o trabalho de organização das fibras tônicas posturais feito pelo alongamento das fibras em excêntrico executado na sessão de fisioterapia.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Exercícios Pliométricos e Reabilitação

Sabe aquele Balancim, aquela Cama Elástica e aquele Bosu que ficam dando sopa no ginásio de fisioterapia ou na sala de Pilates e que ninguém nunca usa? 
Já pensou que eles podem ser úteis para desenvolver atividades pliométricas? 
Pois é, a pliometria pode ser uma boa opção de exercício para alguns pacientes. 
Se interessou? 
Então continue lendo a matéria e bons estudos.



Os Exercícios Pliométricos


Exercícios pliométricos são basicamente exercícios que envolvem uma breve contração excêntrica seguida de uma contração concêntrica explosiva. Esta seqüência de contrações é denominada de Ciclo Alongamento-Encurtamento (também chamado Ciclo Excêntrico- Concêntrico ou de Contra Movimento). Portanto, principal característica da atividade pliométrica (e o que a diferencia dos demais exercícios) é a capacidade de armazenar energia elástica na musculatura e tecido conjuntivo para que seja utilizada durante a contração concêntrica deste mesmo músculo. Além disso, acredita-se que o treinamento baseado nestes ciclos é capaz de melhorar a capacidade de reação do sistema neuromuscular ao recrutar unidades motoras numa mínima quantidade de tempo.



A aplicação de treinamento pliométrico tem evoluído nos últimos anos e acabou chegando ao campo da reabilitação. Alguns protocolos recentes incluem o exercício pliométrico como um meio para melhorar a função e facilitar o retorno ao esporte.



Esta postagem tem como objetivo descrever os mecanismos envolvidos na atividade pliométrica e discutir como podem ser utilizados em reabilitação. Mas antes, vamos compreender melhor o Ciclo Alongamento-Encurtamento.



O Ciclo Alongamento-Encurtamento



Além da definição de Ciclo Alongamento-Encurtamento (CAE), é importante saber também que ele é dividido em três fases:



[1] Fase Excêntrica ou de Pré-Alongamento,
[2] Fase de Amortização, e
[3] Fase Concêntrica, fase de Resposta Concêntrica ou de Encurtamento.



A primeira fase é a Fase Excêntrica, também descrita como preparatória. É nesta fase que ocorre o armazenamento de energia elástica, e também o estímulo dos receptores musculares (os fusos musculares são estimulados e alongados durante a contração excêntrica dos agonistas).



A fase seguinte, denominada de Fase de Amortização, é o intervalo entre a contração excêntrica e a concêntrica. Pra ser mais exato, ela se inicia quando a contração excêntrica começa a diminuir de intensidade e termina com o início de uma força concêntrica. Para fins de treinamento, o ideal é que esta fase seja realizada o mais rápido possível, de modo que a energia elástica armazenada na fase anterior não tenha o risco de se dissipar em forma de calor no interior do músculo. O rápido alongamento (carga excêntrica) deve ser imediatamente seguido de uma acelerada contração concêntrica explosiva, para maximizar a força gerada.



A terceira e última fase é a fase de Resposta Concêntrica, ou seja, a fase na qual se gera o movimento explosivo. Neste momento do movimento pliométrico se tem a somatória da fase de preparação e amortização. Esse é o estágio produtivo, devido à contração concêntrica estimulada.



Uso de exercícios pliométricos em reabilitação



Os exercícios pliométricos são usados no treinamento de atletas para desenvolver força explosiva, melhorar a reatividade muscular através da facilitação do reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e extra articular Analisando os efeitos desses exercícios, acredita-se que estes podem ser benéficos na prevenção de lesões e também na reabilitação, principalmente de atletas

Escolhendo os candidatos.
Por mais que você goste, acredite e deseje ardentemente incluir exercícios pliométricos na sua rotina de tratamento, obviamente nem todos os pacientes tem indicação ou se beneficiariam da prática destes exercícios.
Com base no princípio da especificidade, (que o treino deve se aproximar ao máximo da atividade real), o exercício pliométrico é indicado para pacientes que desejem retornar à atividades que incluem movimentos explosivos.
Em geral, exercícios de reabilitação são executados em baixa velocidade, com resistência leve/moderada e, muitas vezes, em planos de movimento bem controlados. Sem dúvida estes exercícios promovem o recrutamento, melhoram a força, e aumentam a resistência muscular, entretanto falham em simular a velocidade, força ou planos de movimento que são encontrados durante uma competição atlética, ou seja: eles não reproduzem as demandas e habilidades necessárias na atividade para qual o atleta está sendo reabilitado.
Conseqüentemente, o exercício pliométrico tem sido recomendado para fazer a ponte entre os exercícios de reabilitação tradicionais e atividades desportivas específicas.



Contra-indicações
Contra-indicações para iniciar o exercício pliométrico são: inflamação aguda ou dor, pós-operatório imediato e instabilidade articular. Patologias comuns, como artrite, lesões musculares ou lesão condral são contra-indicações relativas, e devem ser muito bem avaliadas, pois dependem da capacidade do tecido de tolerar a geração rápida de forças de grande intensidade e da articulação tolerar a sobrecarga imposta.



Considerações Finais
Muitos exercícios pliométricos, mesmo em baixas intensidades, expõem as articulações a forças intensas e altas velocidades de movimento, e definitivamente não são adequadas para as fases iniciais da reabilitação. Antes de iniciar o exercício pliométrico, os pacientes devem ser capazes de tolerar as atividades cotidianas sem dor ou edema. Caso contrário, as altas forças envolvidas irão provavelmente agravar o problema. Além disso, os pacientes devem ter Amplitude de Movimento praticamente completa e um nível adequado de força, resistência e controle neuromuscular para executar corretamente o exercício pliométrico com baixo risco de exarcebar os sintomas.

As justificativas para a utilização da pliometria na reabilitação de atletas leva em consideração principalmente a influência destas atividades sobre: a resposta reativa muscular, a sincronização da atividade muscular e da atividade miotática. É possível que um programa de exercícios pliométricos aumente a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e aprimorando o controle neuromuscular.


REFERÊNCIAS:

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Análise da resistência externa e da atividade eletromiográfica do movimento de extensão de quadril realizado segundo o método Pilates



O método Pilates foi originalmente desenvolvido por Joseph Pilates durante a Primeira Guerra Mundial e levado para os EUA em 1923. O conceito inicial misturava elementos de ginástica, artes marciais, yoga e dança, focando o relacionamento entre corpo e disciplina mental. A experiência de trabalho no Pilates é caracterizada pelo uso de aparelhos diferenciados em que a sobrecarga externa (carga externa) imposta à estrutura musculoesquelética é obtida pelo auxílio de molas. Mais recentemente, novos elementos têm sido incorporados ao programa que tem sido direcionado tanto para o condicionamento físico como para programas de reabilitação. Alguns procedimentos de fisioterapia nos quais os exercícios de Pilates têm sido usados incluem fins terapêuticos, reeducação neuromuscular, atividade funcional e estabilização da região lombar-pélvica. Entretanto, o critério de escolha das variáveis (posição do indivíduo e posicionamento de mola) que modulam a sobrecarga dos exercícios no Pilates ainda vem sendo realizado por meio de avaliações subjetivas. Por outro lado, o conhecimento do torque de resistência (TR) que um determinado exercício oferece juntamente com informações referentes à ativação muscular também deveriam ser considerados como critérios de escolha de exercícios. Não obstante, apesar da grande popularidade do Pilates na prática clínica, o que se observa é uma enorme carência de estudos científicos tanto com aplicação na Fisioterapia, como com abordagem cinesiológica, fisiológica e/ou biomecânica. Fora do ambiente de Pilates, estudos com pesos livres, máquinas de musculação e materiais elásticos têm mostrado que a análise do TR pode indicar, por exemplo, se a carga externa imposta ao praticante é maior no início ou no final de uma amplitude de movimento (ADM) e se a mesma está condizente com a capacidade de produção de força dos músculos atuantes e, desse modo, subsidiar a seleção de exercício. Ademais, outros estudos quantificaram e compararam a atividade eletromiográfica (EMG) e as cargas externas aplicadas nos músculos de interesse durante exercícios típicos de musculação e sugeriram que dados biomecânicos (EMG e carga externa) deveriam ser considerados quando um programa de reabilitação é desenvolvido.

  •  o coeficiente de deformação da mola (K), 
  •  o posicionamento da mola,                                                                                                                       
  • o peso do segmento humano móvel 
  • distâncias perpendiculares das forças envolvidas (da mola e do peso do segmento) em relação ao eixo articular no centro da articulação do quadril.

Apesar da complexidade, algumas técnicas de pesquisa em biomecânica, como representação das forças envolvidas por meio de diagrama de corpo livre (DCL) e equações de movimento, podem ajudar a classificar objetivamente o tipo de resistência de um exercício. O conhecimento do comportamento do TR e da EMG dos músculos durante os exercícios no Pilates pode ser considerado como ferramenta para indicar a sobrecarga sobre o sistema musculotendíneo e complementar na escolha dos exercícios do Pilates durante um programa de reabilitação. Assim, os objetivos deste estudo foram comparar a ativação elétrica do reto femoral (RF), do bíceps femoral cabeça longa (BF) e semitendíneo (ST) e o torque de resistência do movimento de EQ realizado com a mola fixa em duas posições distintas.
Diante das diferenças no comportamento de TR, observado entre as duas posições de mola avaliadas no presente estudo, espera-se que os músculos gerem diferentes estratégias neuromusculares para vencer a variação de resistência imposta a eles e ainda proporcionar estabilidade articular. Os achados do presente estudo sugerem que certas alterações na posição de mola durante o exercício de extensão de quadril no Cadillac podem ser mais apropriadas para um objetivo clínico do que para outro. Em outras palavras, modificar a posição de molas, como é comumente feito na prática clínica usando Pilates, não altera apenas a "intensidade" do exercício como de fraco para moderado ou de moderado para intenso, mas fundamentalmente interfere na participação de músculos como motores primários ou não na execução de determinado movimento e na importância da contribuição das estruturas passivas e/ou ativas para geração de força durante o exercício. No momento, pode-se concluir que, nas comparações gerais, a análise EMG acompanhou o TR, apresentando valores maiores para o RF na posição baixa e maiores valores de ativação para o BF e ST na posição alta, em que a demanda externa sobre os mesmos foi maior. No entanto, nas comparações parciais com a mola alta, foram encontrados maiores valores de EMG na porção de movimento em que o TR foi menor, enquanto que, na mola baixa, ainda que o TRmude de sentido ao longo da ADM, níveis constantes de EMG foram observados. Acredita-se que este trabalho representa um primeiro passo no sentido de estruturar critérios objetivos (TR e EMG) para a elaboração de programas de reabilitação usando exercício no Pilates. 




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Efeitos do Método Pilates sobre a composição corporal e a flexibilidade


A composição corporal refere-se a quantidades relativas de diferentes compostos corporais, proporcionando uma estimativa da massa livre de gordura e da massa gorda, uma das maneiras de mensurá-la é através do exame de bioimpedância, que é um método rápido e não invasivo de estudar os compartimentos corporais. O Método Pilates é um programa de condicionamento físico cujos benefícios dependem da execução dos seus movimentos com fidelidade aos seus princípios. O estudo teve o objetivo de verificar se existem modificações na composição corporal e na flexibilidade de praticantes do Método Pilates.
A composição corporal refere-se a quantidades relativas de diferentes compostos corporais, proporcionando uma estimativa da massa livre de gordura e da massa gorda, sendo importante na determinação e monitorização da saúde e no estado de condicionamento físico de um indivíduo, além de auxiliar no planejamento de programas de treinamento para atletas.
Outra medida importante na pesquisa do estado de saúde de grandes populações é a medida do índice de massa corporal (IMC), o qual é a relação do peso com a altura ao quadrado. Um indivíduo com um IMC menos que 20 é considerado abaixo do peso, de 20 a 24,9 está dentro do peso desejável, de 25 a 30
está com excesso de peso e maior que 30 é considerado obeso. Entretanto, o IMC não é uma medida clara que reflete a quantidade total de gordura corporal.
É possível medir a gordura subcutânea em locais selecionados, com compassos de dobras cutâneas e predizer a porcentagem de gordura corporal.
A impedância bioelétrica (BIA) ou bioimpedância é um método de avaliação de composição corporal, cuja técnica baseia-se no trabalho de Hoffer e colaboradores, o qual demonstra uma alta correlação entre a impedância bioelétrica corporal total e a quantidade de água corporal total (ACT). O princípio da bioimpedância é baseado na condutância elétrica e no fato de que a massa corporal livre de gordura, com
seu abundante conteúdo eletrolítico, tem uma condutibilidade muito maior que a gordura, permitindo assim o estabelecimento de uma relação entre condutância e massa livre de gordura. É um método rápido e não invasivo dos compartimentos corporais, principalmente a massa magra e a massa gordurosa.
Baseando-se em princípios da cultura oriental, sobretudo relacionados às noções de concentração, equilíbrio, percepção, controle corporal e flexibilidade, e da cultura ocidental, destacando a ênfase relativa à força e ao tônus muscular, o Pilates configura-se pela tentativa do controle o mais consciente possível dos músculos envolvidos nos movimentos.
O método de Pilates é um programa completo de condicionamento físico e mental numa vasta órbita de exercícios potenciais. Muitos dos pequenos movimentos terapêuticos desenvolvidos para ajudar pessoas que se recuperam de lesões podem ser intensificados para desafiar atletas experientes.
Segundo Joseph Pilates, os benefícios de método Pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios. O método Pilates é a fusão da abordagem oriental e ocidental. Através das técnicas orientais que visam o relaxamento, respiração, concentração, controle e flexibilidade somados
a técnica ocidental visando à ênfase no movimento com força. Surgiu então a essência dos princípios do método Pilates.
A atividade possa ser desenvolvida atendendo as necessidades específicas de cada praticante. Os exercícios são adaptados conforme as condições físicas do praticante. Há os exercícios que podem ser evitados, mas existem outros que se encaixam nas necessidades físicas do praticante.


A flexibilidade é a amplitude de movimento de uma articulação ou de uma série de articulações. A promoção de maiores níveis de flexibilidade ocorre pelo emprego sistematizado de estímulos denominados
alongamentos, que são solicitações de aumento da extensibilidade do músculo e de outras estruturas, mantidas por um determinado tempo. Os alongamentos baseiam-se no princípio de ativação de fusos
musculares e órgãos tendinosos de Golgi, sensíveis às alterações no comprimento e velocidade e, na tensão dos músculos, respectivamente. Os impulsos destes receptores provocam respostas reflexas, que por sua vez induzem adaptações nas unidades musculotendíneas, as quais são benéficas para o ganho da mobilidade articular. Tendo em vista o aumento no interesse da população por corpos cada vez mais definidos e melhora do bem estar físico e mental, verifica-se a necessidade de observar como se comporta a composição corporal e flexibilidade dos praticantes do método Pilates.
Os exercícios do protocolo, baseado na nomenclatura de uma escola de Pilates no Brasil foram:
• Trapézio: série de pernas nas molas, flexão da coluna com molas, apoio nos ombros, flexão plantar/dorsal na barra torre, extensão de quadril, braços com barra torre sentada, série de ísquio tibiais na barra torre,
mobilização neural do quadrante inferior.
• Cadeira: trabalho de perna em pé, extensão da coluna em prono, serie de pernas sentada, desaceleração solear, serie V invertido.
• Reformer: série de pernas em supino, arcos dos ísquios tibiais, flexão da coluna sentada, círculos pélvicos, alongamento de flexores do quadril em pé, arcos de braço nas cordas em supino, mobilização neural sentado.
• Barril: alongamentos, extensão de tronco em prono, ponte, flexão lateral, flexão do quadril com articulação da coluna.
• Solo: círculos e arcos de fêmur, chutes de lado, ponte com movimentos pélvicos, mergulho do cisne I e II, cem, apoio nas mãos e nos pés de costas e de frente.
Medida da composição corporal: a composição corporal foi avaliada através da impedância bioelétrica, usando o aparelho Bioelectrical Body Composition Analyzer-RJL, o qual foi feito com o paciente deitado,
membros afastados uns dos outros, com dois eletrodos posicionados no punho e dois no tornozelo, em um hemicorpo; as pacientes foram orientadas a urinar no máximo vinte minutos antes do teste, não realizar exercícios nas 12 horas antes do teste e não ingerir alimentos ou líquidos nas quatro horas que
antecedem o teste.
Medida de flexibilidade: a flexibilidade foi avaliada através da amplitude de movimento medida pelo goniômetro, para os movimentos de flexão de quadril com joelho estendido, ativo e passivamente e distância dedo-chão.
Todos os métodos de avaliação foram realizados antes e após aplicação do protocolo de exercícios.
Conclui-se que não houve alterações significativas na porcentagem de água corporal, massa magra e gordura corporal segundo o exame de bioimpedância realizado antes e após o treinamento com o Método
Pilates, e ao contrário de outras bibliografias ainda ocorreu aumento do peso corporal, o que pode ter ocorrido devido ao pequeno numero de sessões e ao fato da amostra não seguir nenhum tipo de restrição alimentar. Porém, a melhora da flexibilidade dos músculos paravertebrais e posteriores da coxa mostrou-se bastante significativo.

Fonte:
  • Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.13, p.16-21.Jan/Fev. 2009. ISSN 1981-9900.
Imagem:
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sexta-feira, 11 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

I Semana Nacional de Pilates


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