terça-feira, 12 de junho de 2012

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexão e extensão do tronco: efeito do método Pilates



O desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é um forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito do método Pilates sobre a função de extensores e flexores do tronco.
O método Pilates (nível intermediário-avançado) mostrou-se uma eficiente ferramenta para o fortalecimento da musculatura extensora do tronco, atenuando o desequilíbrio entre a função dos músculos envolvidos na extensão e flexão do tronco.
A incapacidade de estabilização da coluna vertebral causada pelo desequilíbrio entre a função dos músculos extensores e flexores do tronco é um forte indício para o desenvolvimento de distúrbios da coluna lombar. Atualmente, existem evidências que sugerem a inclusão de exercícios voltados para o fortalecimento dos músculos envolvidos na flexão e extensão do tronco nos programas de prevenção e reabilitação da dor na região da coluna lombar (lombalgia).
A lombalgia é um dos mais comuns problemas da sociedade moderna, representando grande parcela de gastos na área de saúde pública. Dados epidemiológicos demonstram que, nos Estados Unidos da América, a lombalgia é a causa mais frequente de incapacidade física para o trabalho em pessoas com menos de 45 anos. Estima-se que o gasto anual relacionado a esse problema (custos médicos e indenizações) ficou em torno de 20 bilhões de dólares durante a década de 90. A previsão para a próxima década é de que esses gastos superem 50 bilhões de dólares. A dificuldade de prevenção e tratamento da lombalgia é devida a sua etiologia ser multifatorial e também devido ao fato de que muitas das suas causas ainda permanecem desconhecidas. Frequentemente, a lombalgia está associada ao sedentarismo, sendo considerada uma das mais comuns doenças hipocinéticas. Apesar de evidências teóricas apontarem para a importância da atividade física na prevenção da lombalgia, não existem recomendações específicas para a elaboração de programas de treinamento na prevenção desse problema.
O método Pilates desenvolvido por Jopeph Pilates no início da década de 1920 tem como base um conceito denominado de contrologia.
Segundo Pilates, contrologia é o controle consciente de todos os movimentos musculares do corpo. É a correta utilização e aplicação dos mais importantes princípios das forças que atuam em cada um dos ossos do esqueleto, com o completo conhecimento dos mecanismos funcionais do corpo, e o total entendimento
dos princípios de equilíbrio e gravidade aplicados a cada movimento, no estado ativo, em repouso e dormindo. Os exercícios do método Pilates são, na sua maioria, executados na posição deitada, havendo diminuição dos impactos nas articulações de sustentação do corpo na posição ortostática e, principalmente, na coluna vertebral, permitindo recuperação das estruturas musculares, articulares e ligamentares particularmente da região sacrolombar. O sistema básico inclui um programa de exercícios que fortalecem a musculatura abdominal e paravertebral, bem como os de flexibilidade da coluna, além de exercícios para o corpo todo.
Já no sistema intermediário-adiantado são introduzidos, gradualmente, exercícios de extensão do tronco, além de outros exercícios para o corpo todo, procurando melhorar a relação de equilíbrio agonista-antagonista. Uma vez que o método Pilates preconiza a melhoria das relações musculares (agonista e antagonista), o objetivo foi testar o efeito desse método de treinamento sobre o torque isocinético dos extensores e flexores do tronco medido a velocidade angular de 120 graus por segundo.
As sessões de treinamento, com duração média de 45 minutos, foram dadas em cinco turmas de quatro participantes por vez, em nível intermediário-avançado, usando-se aparelhos específicos do método: Reformer, Cadilac, Wunda-chair, Electric-chair, Pedi-pull, Barrel, Magic circles, bem como, exercícios sem aparelhos (Mat). A sessão de treinamento iniciou-se no aparelho Reformer, no qual foram realizados os seguintes exercícios: foot work series, the hundred, short spine massage, coordination, rowing, pulling straps, backstroke with reverse, teaser, short box series, long stretch, down stretch, elephant, stomach massage (round, hands back, reach up, twist), tendon stretch, semi-circle, chestexpansion, thigh stretch, arm-circles with variation, corkscrew, leg circles frog, knee stretch series, running, pelvic lift. Entre o exercício rowing e o pulling straps, foi realizado o exercício swan no aparelho Barrel. Subsequentemente, foram realizados os exercícios sem aparelhos (Mat): single leg stretch, double leg stretch, single straight, double straight, criss cross. Após os exercícios sem aparelhos (Mat ), foi utilizado o aparelho Wunda-chair com os respectivos exercicícios: pushing down with hands, pull up, balance control front, the table, teaser. Na sequência foi utilizado o aparelho Cadillac com os respectivos exercícios: leg circle, walking, beats, pull up hanging. A sessão foi finalizada no aparelho Pedi-pull, no qual foi realizado o exercício chest expansion seguido da série de Magic circles. Os exercícios para alongamento e fortalecimento dos extensores da coluna, realizados sem hiperextensão do tronco, são short box (round, flat side to side e tree); stomach massage (round, hands back, reach up, twist). Posteriormente, são introduzidos no sistema avançado os exercícios: rowing III, IV, V e VI. Já os exercícios introduzidos no sistema intermediário, com hiperextensão do tronco são: pulling straps I e II e swan on the barrel. E finalmente, os exercícios de fortalecimento do power house: stomach masage, short box, teaser, long stretch, realizados no Reformer; série dos abdominais do Mat (single leg stretch, double leg stretch, single straight, double straight, criss cross) e na Wunda-chair, os exercícios: pushing down with hands, pull e teaser.
Os indivíduos foram avaliados, antes e após as sessões de treinamento.
O funcionamento da coluna lombar de seres humanos é único. Em outros primatas, observa-se postura curvada para frente sem lordose. A lordose é frequente em quadrúpedes; entretanto, nesses animais a espinha não funciona sobre força axial, como em seres humanos, que mantêm a postura ereta. O músculo responsável pela manutenção da postura lordódica nos seres humanos é o multífido. A função desse músculo está relacionada à extensão do tronco. Tem sido demonstrado que a função do multífido está
prejudicada em pacientes com lombalgia. Por outro lado, a função dos flexores do tronco parece não ser alterada em pacientes com lombalgia, reforçando a maior importância da realização de exercícios para a musculatura extensora. O sedentarismo está diretamente relacionado ao enfraquecimento da musculatura envolvida na extensão do tronco e, consequentemente, é considerado fator de risco para a etiologia da lombalgia.
Em um recente estudo foi observado que pacientes com lombalgia apresentavam 40% de decréscimo na força de extensores do tronco em relação a indivíduos assintomáticos (grupo controle). Após o treinamento de força com ênfase nos extensores do tronco por oito semanas, os pacientes apresentaram ganho de 100% na força desses músculos em relação ao início do treinamento. Já no grupo controle o ganho foi de apenas 10% em relação ao valor inicial. Ainda nesse estudo foram realizadas imagens de ressonância magnética na secção transversa do multífido, que demonstraram que em pacientes com lombalgia foi detectada hipertrofia desse músculo após o treinamento. Uma limitação do presente estudo foi a falta do grupo controle, porém, de acordo com outro estudo, ficou comprovado que em indivíduos sedentários (grupo controle) o ganho de força foi insignificante em relação ao marcante aumento observado no grupo treinado. Os resultados demonstraram que em todos parâmetros avaliados (pico de torque, 25%; trabalho total, 30%; potência, 30%; e quantidade de trabalho total, 21%), foi constatado aumento significativo no valor pós-treinamento em relação ao valor pré-treinamento.
Outro estudo, também utilizando treinamento de força para músculos extensores do tronco, acompanhou 400 indivíduos que reportavam lombalgia por um ano. Após oito semanas de treinamento (duas vezes por semana), 80% dos participantes reportaram atenuação dos sintomas da lombalgia. Após um ano de estudo, houve apenas 11% de reutilização de serviços médicos devido à lombalgia.
Em um outro estudo de caso, reportou que o método Pilates foi eficiente no tratamento de uma paciente com escoliose. Nossos resultados demonstraram que o método Pilates foi eficiente em promover aumento em todos os parâmetros avaliados (pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total) durante a extensão do tronco em relação ao valor pré-treinamento. Além disso, também verificamos que esse aumento foi responsável pela queda na relação flexores: extensores em todos os parâmetros avaliados (pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total), aproximando-a do valor ideal considerado (equilíbrio entre flexores e extensores).
Com relação aos flexores foi detectada melhora discreta no trabalho total e na quantidade de trabalho total. Ao comparar indivíduos sedentários e treinados, foi constatado que a função dos flexores do tronco (torque, trabalho e potência) era semelhante, indicando que a musculatura flexora do tronco é menos suscetível à falta de treinamento. Através dos nossos resultados podemos constatar que a musculatura envolvida na flexão também foi menos responsiva ao estímulo do método Pilates. Apesar de existir uma crença de que o reforço da musculatura flexora do tronco (músculos abdominais) é uma prioridade nos programas de exercício e reabilitação da coluna lombar, evidências recentes não confirmam essa hipótese. Acreditava-se que o aumento da pressão intra-abdominal reduziria a compressão sobre a espinha e os discos intervertebrais, atenuando dessa forma a lombalgia. Entretanto, em uma recente revisão da literatura não foi possível comprovar essa relação entre aumento da pressão intra-abdominal e atenuação da lombalgia. Além disso, a pressão intra-abdominal não é aumentada durante a contração dos músculos abdominais. Também foi observado que o treinamento de força com ênfase sobre essa musculatura não foi eficiente em promover aumento da pressão intra-abdominal.
Existem evidências convincentes de que a realização de um programa de exercícios com ênfase no fortalecimento da musculatura extensora do tronco restaura a função da coluna lombar e pode prevenir o surgimento da lombalgia. O método Pilates (nível intermediário-avançado) mostrou-se eficiente para promover aumento do pico de torque, trabalho total, potência e quantidade de trabalho total dos músculos relacionados à extensão do tronco. Esses resultados indicam que esse método de treinamento pode ser utilizado como estratégia para o fortalecimento dessa musculatura, atenuando o desequilíbrio entre a função dos músculos envolvidos na extensão e flexão do tronco.

Fonte:

  • Inélia Ester Garcia Garcia Kolyniak, Sonia Maria de Barros Cavalcanti, e Marcelo Saldanha Aoki


domingo, 3 de junho de 2012

Hérnia de disco cervical tratada com fisioterapia




A dor de origem cervical que se irradia para o ombro, braço, mão, cabeça bem como no pescoço, é frequentemente resultado da irritação das raízes nervosas na região do foramen intervertebral, da invasão do leito vascular durante seu curso no canal vertebral, ou da invasão da medula no canal vertebral.
O mecanismo que origina a dor e a incapacidade na região cervical, pode ser considerado corno resultado do estreitamento do espaço ou de movimento defeituoso na região do pescoço, pela qual passam os nervos ou vasos sanguíneos.
A compressão da raiz nervosa por hérnia de disco cervical é pouco frequente. "Para entrar em contato com o nervo, o disco deve herniar para o espaço intervertebral e fazer protrusão em direção dorsolateral".
As complicações da hérnia de disco cervical incluem perda de sensibilidade, dor de cabeça, diminuição de força etc. Considerando que o mecanismo que origina a dor e as parestesias e, como consequência, incapacidade funcional de toda a região cervical, pode ser resultado do estreitamento do espaço ou do movimento defeituoso na região do pescoço, imaginou-se que uma das possíveis causas da dor pudesse
ser a retificação da coluna cervical. Assim, tanto nas curvas lordóticas acentuadas quanto nas retificações das curvas cervicais, existe a necessidade de um alongamento muscular localizado e global, uma vez que a compensação de um segmento leva a compensações em outras regiões do corpo. Neste estudo, quando o trabalho era realizado em decúbito dorsal, usou-se um rolo sob a coluna cervical no sentido de recriar a curva fisiológica perdida. O que se observou em outros pacientes é que o alongamento muscular não era suficiente para diminuir a sintomatologia referida, pois quanto mais se alongavam os músculos, mais se acentuava a retificação, não havendo diminuição dos sintomas referidos. Assim, a partir do momento em que se atentou para o uso do "rolo" durante as sessões e em casa ao deitar, houve um desaparecimento dos sintomas em poucos dias, sugerindo então uma atenção especial para um exame atento do paciente, e um RX comprobatório da situação da coluna cervical. A literatura pouco se refere à atuação da fisioterapia e da sua eficácia nos pacientes com hérnia de disco cervical. O artigo propôs um trabalho de fisioterapia visando melhorar a força muscular e o ganho de amplitude articular em pacientes com hérnia de disco cervical. Neste trabalho ele compara estes dois aspectos antes e após o tratamento de fisioterapia, obtendo resultados satisfatórios. Nos nossos pacientes não foi observada limitação de movimento, apenas a restrição imposta pela dor, que foi sanada a partir do momento em que esta foi eliminada. Assim, ao invés de melhorar a força muscular, optou-se por alongar as estruturas encurtadas em nível local e geral.
Este aspecto vem de encontro à afirmação de Méziêres, que na década de 50, já dizia que a questão não está na fraqueza da musculatura posterior, mas no excesso de força, sugerindo então que a solução seria soltar os músculos posteriores para que eles libertem as vértebras mantidas num arco côncavo. Assim, no nosso trabalho, foi feita a mesma analogia: ao invés de fortalecer músculos, optou-se por "soltar" os músculos que se achavam encurtados, objetivando com isso conseguir um alongamento das estruturas musculares. Entende-se por alongamento muscular, qualquer manobra terapêutica elaborada para alongar estruturas de tecido mole encurtadas. Sua indicação mais frequente refere-se à necessidade de alongar os encurtamentos, sempre que estes interferirem com as atividades da vida diária.
A avaliação da dor, dos sintomas de parestesia e diminuição da força muscular foi feita através do relato verbal dos indivíduos, que afirmaram terem estas desaparecido, mostrando-se satisfeitos com o retorno às atividades diárias sem restrição alguma.
Por isso a importância de um trabalho global, atuando no corpo com um todo, melhorando as distribuições de forças, organizando essas alterações, reeducando e aliviando as dores. Com a evolução o aluno pode passar para uma atividade que vai dar continuidade ao trabalho que foi realizado com fisioterapia, por exemplo o Pilates que não vai ter um trabalho específico da cervical, mas vai reeducar o movimento e postura da cabeça sobre o tronco, do tronco sobre a pelve, ajustando as curvaturas fisiológicas e completando o trabalho de organização das fibras tônicas posturais feito pelo alongamento das fibras em excêntrico executado na sessão de fisioterapia.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Exercícios Pliométricos e Reabilitação

Sabe aquele Balancim, aquela Cama Elástica e aquele Bosu que ficam dando sopa no ginásio de fisioterapia ou na sala de Pilates e que ninguém nunca usa? 
Já pensou que eles podem ser úteis para desenvolver atividades pliométricas? 
Pois é, a pliometria pode ser uma boa opção de exercício para alguns pacientes. 
Se interessou? 
Então continue lendo a matéria e bons estudos.



Os Exercícios Pliométricos


Exercícios pliométricos são basicamente exercícios que envolvem uma breve contração excêntrica seguida de uma contração concêntrica explosiva. Esta seqüência de contrações é denominada de Ciclo Alongamento-Encurtamento (também chamado Ciclo Excêntrico- Concêntrico ou de Contra Movimento). Portanto, principal característica da atividade pliométrica (e o que a diferencia dos demais exercícios) é a capacidade de armazenar energia elástica na musculatura e tecido conjuntivo para que seja utilizada durante a contração concêntrica deste mesmo músculo. Além disso, acredita-se que o treinamento baseado nestes ciclos é capaz de melhorar a capacidade de reação do sistema neuromuscular ao recrutar unidades motoras numa mínima quantidade de tempo.



A aplicação de treinamento pliométrico tem evoluído nos últimos anos e acabou chegando ao campo da reabilitação. Alguns protocolos recentes incluem o exercício pliométrico como um meio para melhorar a função e facilitar o retorno ao esporte.



Esta postagem tem como objetivo descrever os mecanismos envolvidos na atividade pliométrica e discutir como podem ser utilizados em reabilitação. Mas antes, vamos compreender melhor o Ciclo Alongamento-Encurtamento.



O Ciclo Alongamento-Encurtamento



Além da definição de Ciclo Alongamento-Encurtamento (CAE), é importante saber também que ele é dividido em três fases:



[1] Fase Excêntrica ou de Pré-Alongamento,
[2] Fase de Amortização, e
[3] Fase Concêntrica, fase de Resposta Concêntrica ou de Encurtamento.



A primeira fase é a Fase Excêntrica, também descrita como preparatória. É nesta fase que ocorre o armazenamento de energia elástica, e também o estímulo dos receptores musculares (os fusos musculares são estimulados e alongados durante a contração excêntrica dos agonistas).



A fase seguinte, denominada de Fase de Amortização, é o intervalo entre a contração excêntrica e a concêntrica. Pra ser mais exato, ela se inicia quando a contração excêntrica começa a diminuir de intensidade e termina com o início de uma força concêntrica. Para fins de treinamento, o ideal é que esta fase seja realizada o mais rápido possível, de modo que a energia elástica armazenada na fase anterior não tenha o risco de se dissipar em forma de calor no interior do músculo. O rápido alongamento (carga excêntrica) deve ser imediatamente seguido de uma acelerada contração concêntrica explosiva, para maximizar a força gerada.



A terceira e última fase é a fase de Resposta Concêntrica, ou seja, a fase na qual se gera o movimento explosivo. Neste momento do movimento pliométrico se tem a somatória da fase de preparação e amortização. Esse é o estágio produtivo, devido à contração concêntrica estimulada.



Uso de exercícios pliométricos em reabilitação



Os exercícios pliométricos são usados no treinamento de atletas para desenvolver força explosiva, melhorar a reatividade muscular através da facilitação do reflexo miotático e da dessenssibilização dos OTGs e melhorar a coordenação intra e extra articular Analisando os efeitos desses exercícios, acredita-se que estes podem ser benéficos na prevenção de lesões e também na reabilitação, principalmente de atletas

Escolhendo os candidatos.
Por mais que você goste, acredite e deseje ardentemente incluir exercícios pliométricos na sua rotina de tratamento, obviamente nem todos os pacientes tem indicação ou se beneficiariam da prática destes exercícios.
Com base no princípio da especificidade, (que o treino deve se aproximar ao máximo da atividade real), o exercício pliométrico é indicado para pacientes que desejem retornar à atividades que incluem movimentos explosivos.
Em geral, exercícios de reabilitação são executados em baixa velocidade, com resistência leve/moderada e, muitas vezes, em planos de movimento bem controlados. Sem dúvida estes exercícios promovem o recrutamento, melhoram a força, e aumentam a resistência muscular, entretanto falham em simular a velocidade, força ou planos de movimento que são encontrados durante uma competição atlética, ou seja: eles não reproduzem as demandas e habilidades necessárias na atividade para qual o atleta está sendo reabilitado.
Conseqüentemente, o exercício pliométrico tem sido recomendado para fazer a ponte entre os exercícios de reabilitação tradicionais e atividades desportivas específicas.



Contra-indicações
Contra-indicações para iniciar o exercício pliométrico são: inflamação aguda ou dor, pós-operatório imediato e instabilidade articular. Patologias comuns, como artrite, lesões musculares ou lesão condral são contra-indicações relativas, e devem ser muito bem avaliadas, pois dependem da capacidade do tecido de tolerar a geração rápida de forças de grande intensidade e da articulação tolerar a sobrecarga imposta.



Considerações Finais
Muitos exercícios pliométricos, mesmo em baixas intensidades, expõem as articulações a forças intensas e altas velocidades de movimento, e definitivamente não são adequadas para as fases iniciais da reabilitação. Antes de iniciar o exercício pliométrico, os pacientes devem ser capazes de tolerar as atividades cotidianas sem dor ou edema. Caso contrário, as altas forças envolvidas irão provavelmente agravar o problema. Além disso, os pacientes devem ter Amplitude de Movimento praticamente completa e um nível adequado de força, resistência e controle neuromuscular para executar corretamente o exercício pliométrico com baixo risco de exarcebar os sintomas.

As justificativas para a utilização da pliometria na reabilitação de atletas leva em consideração principalmente a influência destas atividades sobre: a resposta reativa muscular, a sincronização da atividade muscular e da atividade miotática. É possível que um programa de exercícios pliométricos aumente a eficiência neural, corrigindo déficits proprioceptivos e aprimorando o controle neuromuscular.


REFERÊNCIAS:

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Análise da resistência externa e da atividade eletromiográfica do movimento de extensão de quadril realizado segundo o método Pilates



O método Pilates foi originalmente desenvolvido por Joseph Pilates durante a Primeira Guerra Mundial e levado para os EUA em 1923. O conceito inicial misturava elementos de ginástica, artes marciais, yoga e dança, focando o relacionamento entre corpo e disciplina mental. A experiência de trabalho no Pilates é caracterizada pelo uso de aparelhos diferenciados em que a sobrecarga externa (carga externa) imposta à estrutura musculoesquelética é obtida pelo auxílio de molas. Mais recentemente, novos elementos têm sido incorporados ao programa que tem sido direcionado tanto para o condicionamento físico como para programas de reabilitação. Alguns procedimentos de fisioterapia nos quais os exercícios de Pilates têm sido usados incluem fins terapêuticos, reeducação neuromuscular, atividade funcional e estabilização da região lombar-pélvica. Entretanto, o critério de escolha das variáveis (posição do indivíduo e posicionamento de mola) que modulam a sobrecarga dos exercícios no Pilates ainda vem sendo realizado por meio de avaliações subjetivas. Por outro lado, o conhecimento do torque de resistência (TR) que um determinado exercício oferece juntamente com informações referentes à ativação muscular também deveriam ser considerados como critérios de escolha de exercícios. Não obstante, apesar da grande popularidade do Pilates na prática clínica, o que se observa é uma enorme carência de estudos científicos tanto com aplicação na Fisioterapia, como com abordagem cinesiológica, fisiológica e/ou biomecânica. Fora do ambiente de Pilates, estudos com pesos livres, máquinas de musculação e materiais elásticos têm mostrado que a análise do TR pode indicar, por exemplo, se a carga externa imposta ao praticante é maior no início ou no final de uma amplitude de movimento (ADM) e se a mesma está condizente com a capacidade de produção de força dos músculos atuantes e, desse modo, subsidiar a seleção de exercício. Ademais, outros estudos quantificaram e compararam a atividade eletromiográfica (EMG) e as cargas externas aplicadas nos músculos de interesse durante exercícios típicos de musculação e sugeriram que dados biomecânicos (EMG e carga externa) deveriam ser considerados quando um programa de reabilitação é desenvolvido.

  •  o coeficiente de deformação da mola (K), 
  •  o posicionamento da mola,                                                                                                                       
  • o peso do segmento humano móvel 
  • distâncias perpendiculares das forças envolvidas (da mola e do peso do segmento) em relação ao eixo articular no centro da articulação do quadril.

Apesar da complexidade, algumas técnicas de pesquisa em biomecânica, como representação das forças envolvidas por meio de diagrama de corpo livre (DCL) e equações de movimento, podem ajudar a classificar objetivamente o tipo de resistência de um exercício. O conhecimento do comportamento do TR e da EMG dos músculos durante os exercícios no Pilates pode ser considerado como ferramenta para indicar a sobrecarga sobre o sistema musculotendíneo e complementar na escolha dos exercícios do Pilates durante um programa de reabilitação. Assim, os objetivos deste estudo foram comparar a ativação elétrica do reto femoral (RF), do bíceps femoral cabeça longa (BF) e semitendíneo (ST) e o torque de resistência do movimento de EQ realizado com a mola fixa em duas posições distintas.
Diante das diferenças no comportamento de TR, observado entre as duas posições de mola avaliadas no presente estudo, espera-se que os músculos gerem diferentes estratégias neuromusculares para vencer a variação de resistência imposta a eles e ainda proporcionar estabilidade articular. Os achados do presente estudo sugerem que certas alterações na posição de mola durante o exercício de extensão de quadril no Cadillac podem ser mais apropriadas para um objetivo clínico do que para outro. Em outras palavras, modificar a posição de molas, como é comumente feito na prática clínica usando Pilates, não altera apenas a "intensidade" do exercício como de fraco para moderado ou de moderado para intenso, mas fundamentalmente interfere na participação de músculos como motores primários ou não na execução de determinado movimento e na importância da contribuição das estruturas passivas e/ou ativas para geração de força durante o exercício. No momento, pode-se concluir que, nas comparações gerais, a análise EMG acompanhou o TR, apresentando valores maiores para o RF na posição baixa e maiores valores de ativação para o BF e ST na posição alta, em que a demanda externa sobre os mesmos foi maior. No entanto, nas comparações parciais com a mola alta, foram encontrados maiores valores de EMG na porção de movimento em que o TR foi menor, enquanto que, na mola baixa, ainda que o TRmude de sentido ao longo da ADM, níveis constantes de EMG foram observados. Acredita-se que este trabalho representa um primeiro passo no sentido de estruturar critérios objetivos (TR e EMG) para a elaboração de programas de reabilitação usando exercício no Pilates. 




quarta-feira, 16 de maio de 2012

Efeitos do Método Pilates sobre a composição corporal e a flexibilidade


A composição corporal refere-se a quantidades relativas de diferentes compostos corporais, proporcionando uma estimativa da massa livre de gordura e da massa gorda, uma das maneiras de mensurá-la é através do exame de bioimpedância, que é um método rápido e não invasivo de estudar os compartimentos corporais. O Método Pilates é um programa de condicionamento físico cujos benefícios dependem da execução dos seus movimentos com fidelidade aos seus princípios. O estudo teve o objetivo de verificar se existem modificações na composição corporal e na flexibilidade de praticantes do Método Pilates.
A composição corporal refere-se a quantidades relativas de diferentes compostos corporais, proporcionando uma estimativa da massa livre de gordura e da massa gorda, sendo importante na determinação e monitorização da saúde e no estado de condicionamento físico de um indivíduo, além de auxiliar no planejamento de programas de treinamento para atletas.
Outra medida importante na pesquisa do estado de saúde de grandes populações é a medida do índice de massa corporal (IMC), o qual é a relação do peso com a altura ao quadrado. Um indivíduo com um IMC menos que 20 é considerado abaixo do peso, de 20 a 24,9 está dentro do peso desejável, de 25 a 30
está com excesso de peso e maior que 30 é considerado obeso. Entretanto, o IMC não é uma medida clara que reflete a quantidade total de gordura corporal.
É possível medir a gordura subcutânea em locais selecionados, com compassos de dobras cutâneas e predizer a porcentagem de gordura corporal.
A impedância bioelétrica (BIA) ou bioimpedância é um método de avaliação de composição corporal, cuja técnica baseia-se no trabalho de Hoffer e colaboradores, o qual demonstra uma alta correlação entre a impedância bioelétrica corporal total e a quantidade de água corporal total (ACT). O princípio da bioimpedância é baseado na condutância elétrica e no fato de que a massa corporal livre de gordura, com
seu abundante conteúdo eletrolítico, tem uma condutibilidade muito maior que a gordura, permitindo assim o estabelecimento de uma relação entre condutância e massa livre de gordura. É um método rápido e não invasivo dos compartimentos corporais, principalmente a massa magra e a massa gordurosa.
Baseando-se em princípios da cultura oriental, sobretudo relacionados às noções de concentração, equilíbrio, percepção, controle corporal e flexibilidade, e da cultura ocidental, destacando a ênfase relativa à força e ao tônus muscular, o Pilates configura-se pela tentativa do controle o mais consciente possível dos músculos envolvidos nos movimentos.
O método de Pilates é um programa completo de condicionamento físico e mental numa vasta órbita de exercícios potenciais. Muitos dos pequenos movimentos terapêuticos desenvolvidos para ajudar pessoas que se recuperam de lesões podem ser intensificados para desafiar atletas experientes.
Segundo Joseph Pilates, os benefícios de método Pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios. O método Pilates é a fusão da abordagem oriental e ocidental. Através das técnicas orientais que visam o relaxamento, respiração, concentração, controle e flexibilidade somados
a técnica ocidental visando à ênfase no movimento com força. Surgiu então a essência dos princípios do método Pilates.
A atividade possa ser desenvolvida atendendo as necessidades específicas de cada praticante. Os exercícios são adaptados conforme as condições físicas do praticante. Há os exercícios que podem ser evitados, mas existem outros que se encaixam nas necessidades físicas do praticante.


A flexibilidade é a amplitude de movimento de uma articulação ou de uma série de articulações. A promoção de maiores níveis de flexibilidade ocorre pelo emprego sistematizado de estímulos denominados
alongamentos, que são solicitações de aumento da extensibilidade do músculo e de outras estruturas, mantidas por um determinado tempo. Os alongamentos baseiam-se no princípio de ativação de fusos
musculares e órgãos tendinosos de Golgi, sensíveis às alterações no comprimento e velocidade e, na tensão dos músculos, respectivamente. Os impulsos destes receptores provocam respostas reflexas, que por sua vez induzem adaptações nas unidades musculotendíneas, as quais são benéficas para o ganho da mobilidade articular. Tendo em vista o aumento no interesse da população por corpos cada vez mais definidos e melhora do bem estar físico e mental, verifica-se a necessidade de observar como se comporta a composição corporal e flexibilidade dos praticantes do método Pilates.
Os exercícios do protocolo, baseado na nomenclatura de uma escola de Pilates no Brasil foram:
• Trapézio: série de pernas nas molas, flexão da coluna com molas, apoio nos ombros, flexão plantar/dorsal na barra torre, extensão de quadril, braços com barra torre sentada, série de ísquio tibiais na barra torre,
mobilização neural do quadrante inferior.
• Cadeira: trabalho de perna em pé, extensão da coluna em prono, serie de pernas sentada, desaceleração solear, serie V invertido.
• Reformer: série de pernas em supino, arcos dos ísquios tibiais, flexão da coluna sentada, círculos pélvicos, alongamento de flexores do quadril em pé, arcos de braço nas cordas em supino, mobilização neural sentado.
• Barril: alongamentos, extensão de tronco em prono, ponte, flexão lateral, flexão do quadril com articulação da coluna.
• Solo: círculos e arcos de fêmur, chutes de lado, ponte com movimentos pélvicos, mergulho do cisne I e II, cem, apoio nas mãos e nos pés de costas e de frente.
Medida da composição corporal: a composição corporal foi avaliada através da impedância bioelétrica, usando o aparelho Bioelectrical Body Composition Analyzer-RJL, o qual foi feito com o paciente deitado,
membros afastados uns dos outros, com dois eletrodos posicionados no punho e dois no tornozelo, em um hemicorpo; as pacientes foram orientadas a urinar no máximo vinte minutos antes do teste, não realizar exercícios nas 12 horas antes do teste e não ingerir alimentos ou líquidos nas quatro horas que
antecedem o teste.
Medida de flexibilidade: a flexibilidade foi avaliada através da amplitude de movimento medida pelo goniômetro, para os movimentos de flexão de quadril com joelho estendido, ativo e passivamente e distância dedo-chão.
Todos os métodos de avaliação foram realizados antes e após aplicação do protocolo de exercícios.
Conclui-se que não houve alterações significativas na porcentagem de água corporal, massa magra e gordura corporal segundo o exame de bioimpedância realizado antes e após o treinamento com o Método
Pilates, e ao contrário de outras bibliografias ainda ocorreu aumento do peso corporal, o que pode ter ocorrido devido ao pequeno numero de sessões e ao fato da amostra não seguir nenhum tipo de restrição alimentar. Porém, a melhora da flexibilidade dos músculos paravertebrais e posteriores da coxa mostrou-se bastante significativo.

Fonte:
  • Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.3, n.13, p.16-21.Jan/Fev. 2009. ISSN 1981-9900.
Imagem:
  • Google

sexta-feira, 11 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

I Semana Nacional de Pilates


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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Uma abordagem sobre a construção da imagem do corpo na criança a partir do método GDS de cadeias musculares


A associação entre certos distúrbios da coordenação motora e transtornos de comportamento fazem com que o fisioterapeuta se depare, muitas vezes, com pacientes infantis que apresentam sintomas ligados à má construção da imagem do corpo, com queixas comportamentais por parte dos pais e da escola, e até mesmo com diagnósticos de doenças psíquicas. Ao tratar a queixa motora de tais pacientes, este fisioterapeuta não deveria desvinculá-la dos aspectos psico-comportamentais envolvidos.
Este artigo pretende relatar o caso de um paciente pediátrico, cujo tratamento fisioterapêutico seguiu os preceitos do método GDS de Cadeias Musculares (Struyf; Campignion,). Espera-se contribuir para o debate sobre o papel do fisioterapeuta em um modelo ampliado de assistência, que leve em conta conceitos como globalidade e integralidade.
Este tema já foi nosso objeto de estudo em pesquisas  anteriores e aponta para o método GDS como estratégia de tratamento privilegiada neste contexto, exatamente por lidar com a questão da globalidade de forma extremamente abrangente. Nossa fundamentação teórica se fará a partir da literatura do método GDS e de marcos teóricos do campo do desenvolvimento psicomotor.
Foco de nossa escolha terapêutica, o método GDS é um método global de fisioterapia e de abordagem comportamental, de prevenção, de tratamento e de reeducação, baseado sobre a compreensão do terreno predisponente. É ainda um método de leitura corporal e tratamento das disfunções do sistema locomotor, que propõe uma abordagem global do corpo a partir da relação entre os aspectos psico-comportamentais e a atitude postural. A fundamentação teórica do método dedica uma especial atenção ao desenvolvimento psicomotor, pois considera que a atitude e as marcas corporais, assim como a chamada pulsão psico-comportamental, se constroem desde a concepção, a partir de múltiplos fatores (genéticos, comportamentais, psíquicos, culturais, históricos, ambientais, etc.). Neste processo, os primeiros anos de vida são de fundamental importância, pois é neste momento que as cadeias musculares e as estruturas psicocomportamentais vão se instalar – no corpo e no psiquismo – e estabelecer as relações entre si, seja
de maneira saudável ou patológica.
A idéia de imagem do corpo como a imagem tridimensional que temos de nós mesmos, uma percepção de unidade corporal que nos é dada a partir das sensações táteis, cinestésicas e visuais. Esta imagem se organiza como núcleo central da personalidade a partir da relação com o meio. Embora se possa distinguir teoricamente os termos imagem e esquema corporal, adotamos a opção de certos autores por considerar o conceito de imagem do corpo como uma função abrangente que engloba ambos os aspectos.
De fato, a dissociação entre a perspectiva neurofisiológica, que caracteriza o esquema corporal, das questões psíquicas, que envolvem o conceito de imagem corporal, cria uma dualidade que se opõe à nossa visão de globalidade. O método GDS parte do princípio de que o locomotor, o visceral e o psico comportamental se mesclam permanentemente, de múltiplas maneiras, o que significa que a psicossomática é apenas uma das diversas vias possíveis. Este conceito se conecta ao pressuposto de Piret e Béziers de que ”todo gesto é carregado de psiquismo, e o investimento do fator psicológico no movimento é análogo ao da motricidade no psiquismo”. Struyf e Campignion defendem a idéia de que o motor primário da atitude postural é a pulsão psico-comportamental, mas que, em contrapartida, a cristalização desta atitude no corpo pode influenciar o comportamento, constituindo uma via somato-psíquica. Neste sentido, as teorias de Schilder também corroboram com os preceitos do método GDS. O autor considera os padrões psicológicos como uma tendência e uma função, ao invés de um fator estático. Para ele, os processos emocionais geram, fortalecem e dirigem os processos de construção do padrão da imagem corporal, auxiliados por sensações e pela percepção.
Schilder postula, ainda, que o movimento e a dança contribuem positivamente para diminuir esta cristalização, pois o modelo postural se altera a cada gesto, dissolvendo a figuração inicial - fixada -  e possibilitando ao corpo a permanente recriação de seus esquemas. Para ele, “a diminuição da  rigidez da imagem corporal trará consigo uma determinada atitude psíquica. Assim, o movimento influencia a imagem corporal e nos leva de uma mudança da imagem corporal a uma mudança de
atitude psíquica”. É por esta via que se configura a intervenção do fisioterapeuta praticante do método GDS, frente a pacientes que apresentem uma demanda psíquica muito evidente. A abordagem direta das questões ligadas ao psiquismo foge ao campo de trabalho deste profissional, porém, para que o olhar seja realmente globalista, é necessário que a via somatopsíquica seja contemplada. Para tanto, o método disponibiliza uma multiplicidade de estratégias terapêuticas.


O caso que será aqui abordado refere-se a um menino  de 8 anos, que chamaremos pelo pseudônimo de Leo. Ele chegou a receber um diagnóstico de autismo, refutado pela psicanalista responsável por ele durante o período de seu tratamento fisioterapêutico, ainda que apresentasse transtornos psíquicos bastante importantes. No plano motor, seu encaminhamento se deu a partir da queixa paradoxal da mãe: ”é uma criança muito agitada, porém muito passiva”; e do professor de educação física: “ele é ótimo no cognitivo, porém  “vai mal no motor”. Em nossa experiência clínica, observamos, em diversas ocasiões, que uma causa frequente de encaminhamento de crianças ao fisioterapeuta é a questão da agitação excessiva (muitas vezes diagnosticada como transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), geralmente associada à dificuldade na relação espacial (a criança esbarra nos móveis, está sempre cheia de hematomas, etc.).
O relato da mãe de Leo, na primeira avaliação, descreve uma criança que demanda sua atenção em tempo integral. Ela fala sobre as dificuldades na socialização (Leo não é “popular” na escola, como o irmão mais novo). Diz que Leo gosta de brincadeiras, mas somente se não houver regras estabelecidas, pois ele não gosta de regras. Relata com preocupação o fato de Leo fantasiar muito, ter amigos imaginários. Durante o tratamento fisioterapêutico, foi possível entrar em contato com este “mundo imaginário”, recheado de personagens constantes na vida de Leo. A mãe comenta, também,  sobre os desenhos do filho, que revelam grande agressividade e violência. Sua maior preocupação parece ser, entretanto, a performance social de Leo, sua popularidade, sua aceitação, a opinião da família sobre o menino. Leo estuda em uma escola tradicional, de orientação religiosa, frequentada pela comunidade social da qual sua família faz parte. Leo apresenta bom rendimento escolar, pois é uma criança extremamente inteligente, com um fascínio especial pela matemática. É capaz de fazer cálculos muito complexos para sua idade, e se mostra vaidoso por esta habilidade.
De fato, se por um lado o seu  relacionamento social é difícil,  ele se faz respeitar por sua inteligência. A mãe refere ainda que seu filho detesta beijos. Ele se permite abraçar, mas nunca beijar. Tanto ela quanto o próprio menino relatam que ele detesta atividades físicas, especialmente o futebol. O pai nunca compareceu ao consultório, e discorda que seu filho necessite de tratamento.
No método GDS, considera-se que existem três estruturas que constituem o eixo vertical, ou eixo da personalidade fundamental: AM, PM e PA (figura 1). Estas estruturas, ligadas ao plano psico comportamental, encontram-se em paralelo com atitutes posturais que se constroem a partir da ativação de encadeamentos musculares específicos, cuja localização no corpo dá origem às siglas que denominam tais estruturas (respectivamente, ântero-mediana, póstero-mediana e pósteroanterior). Durante o desenvolvimento psicomotor da criança, e mesmo durante o período gestacional, cada uma destas estruturas se organiza em uma sinergia permanente entre o plano motor e o psíquico.
Especialmente na criança, o desenvolvimento motor não se encontra, em nenhum momento, desatrelado do desenvolvimento psíquico. Tendo construído a base das três  estruturas da personalidade, em seu corpo e seu psiquismo, a criança poderá vivenciar uma multiplicidade de experiências.
A estrutura AM, que no corpo é representada por músculos predominantemente situados na região ântero-mediana, é a primeira a se organizar, e de sua boa construção depende primordialmente a saúde psíquica do indivíduo que está se formando. A estruturação do AM está ligada à constituição do ego e do self, isto é, da noção de existir, percepção de si como um corpo integrado, da sensação de habitar este corpo. A maternagem, os cuidados com o bebê, o toque, o olhar e todo o conjunto de manifestações de afeto por parte da mãe ou cuidadora nutrem este AM e contribuem para toda esta construção.Winnicott, pediatra e psicanalista britânico que se dedicou a examinar os primeiros passos do desenvolvimento humano, afirmou ser fundamental que o bebê tenha suas necessidades físicas e afetivas tão bem acolhidas, que experimente a ilusão de existir em unidade  com  o meio que o acolhe. Dito de outra forma, no início, do ponto de vista do observador, existe uma dupla, porém, do ponto de vista do bebê, há uma unidade mãe-bebê. Os cuidados prodigalizados pela mãe dedicada comum promovem a integração das diversas partes do corpo e, ao mesmo tempo, o reconhecimento de que esta unidade “é o bebê”. Trata-se de dois fenômenos fundamentais para a estruturação e o desenvolvimento do self: integração e personalização. A essa altura, o bebê pode
sentir-se ele próprio, bem como podemos afirmar que uma psique habita um corpo.
Progressivamente, ele adquirirá, também, o domínio sobre a consciência de espaço e tempo. É importante ressaltar a importância da pele neste contexto. O toque da mãe vai criando no bebê a noção de contorno, de limites corporais, o que será fundamental na constituição da imagem do corpo e, em última análise, da organização deste AM, tanto do ponto de vista muscular quanto no desenvolvimento emocional. Segundo Piret e Béziers, “a sensação da forma da pele se vincula à imagem de nosso próprio volume e de seu movimento. A manipulação da pele permite recuperar as imagens correspondentes. Sensibilidade profunda e pele nos permitem perceber a forma de nosso corpo”. A mãe suficientemente boa, descrita por Winnicott, seria aquela capaz de nutrir suficientemente o AM de cada bebê, para que a criança integre o psique-soma, imprimindo em seu corpo as marcas mecânicas fundamentais deste encadeamento muscular e possa passar para a etapa seguinte. Se a estrutura AM corresponde simbolicamente à imagem da mãe, PM está ligada à figura do pai. AM dá ao bebê seus limites corporais, mas PM representa os limites externos,  a lei,  as
regras. No corpo, o encadeamento muscular se situa predominantemente na região póstero-mediana. Trata-se do encadeamento muscular responsável pela verticalização, pela estação bípede. No plano comportamental, vincula-se à ação, à performance, ao conhecimento, ao intelecto, à liderança, à realização de projetos, ao olhar para o futuro. Entretanto, se AM não tiver se construído adequadamente, esta PM pode levar a uma agitação excessiva, uma valorização extrema da performance e do “parecer”, uma permanente ansiedade, uma descorporalização. Sem a boa AM, não há boa PM, e a criança pode perder a noção de limites (corporais e sociais) e até mesmo sua percepção de existência.
A estrutura PA é representada, no corpo, por músculos situados profundamente no tronco e pescoço, com uma direção de fibras póstero-anterior. Constitui, na verdade, uma estrutura dupla, com seu complemento AP (encadeamento ântero-posterior). PA e AP respondem, essencialmente, pela alternância: PA é a inspiração e AP, a expiração. No plano psico-comportamental, PA diz respeito à busca do ideal, à construção da individualidade, à espiritualidade, à expressão artística, à busca do belo, justo e correto, ao insight e, de forma simbólica, à “inspiração”. Está ligada ao aparelho psíquico e, consequentemente, aos transtornos do psiquismo. Seu duplo, AP (a “criança”, o caráter lúdico), é responsável pela adaptabilidade, pela saudável alternância de comportamentos, pela possibilidade de desempenhar diferentes papéis.
A expressão destas estruturas, na relação com o meio ambiente, seja  sob forma de extroversão / abertura, ou de introversão / fechamento, se dará pela via do eixo  horizontal ou relacional (figura 1), composto respectivamente pelas estruturas PL (póstero-lateral) e AL (ânterolateral). Estas estruturas relacionais formam, com AP, a chamada tríade dinâmica. As dificuldades que Leo enfrenta nas interações sociais refletem um conflito nesta esfera.
Do ponto de vista biomecânico, os conceitos do método GDS sustentam que é somente a partir de uma AM e uma PM bem constituídas que a PA poderá emergir. Assim, tanto o autocrescimento reflexo, necessário para a saúde postural, quanto a possibilidade de perceber o mundo por uma via mais intuitiva, que leva ao insight e à consequente integração dos conceitos, dependem da liberdade de PA(AP). Esta, por sua vez, advém necessariamente de uma sólida estruturação de AM e PM, que estabelecem os pontos fixos mecânicos adequados e o bom enraizamento psicocomportamental.
No caso de Leo, observa-se uma maturação insuficiente na estruturação de AM, que se traduz na sua relação precária com o corpo e o espaço e em suas dificuldades emocionais, características de um desequilíbrio na relação entre as três estruturas do eixo fundamental.  A  relevância atribuída pela mãe à opinião da família e à popularidade de Leo  reforçam a ansiedade  e a super valorização da performance  intelectual. A carência de uma PM saudável se manifesta na falta de limites no comportamento do menino: não obediência a regras, desrespeito à mãe, a babá e à própria fisioterapeuta, enfim, uma certa dose do
que poderíamos chamar de “má educação”.
Segundo Winnicott , a falha no acolhimento precoce promove as mais variadas perturbações físicas e psíquicas. Como não pretendemos nos aprofundar no estudo dessas falhas, comentaremos, apenas, uma forma particular de reação do bebê a elas, falha essa que o autor denominou atividade anti-social. Neste caso, o objetivo do bebê é cobrar do meio a atenção não recebida, tornando-se, por isso, perito em perturbá-lo. Essas perturbações variam desde uma malestar físico passageiro, até a delinquência franca, percorrendo toda sorte de dificuldades no relacionamento com o outro: tornar-se especialmente bagunceiro, mentiroso, agressivo, bem como apresentar uma série de distúrbios orgânicos. O importante é conquistar a atenção faltosa. Para Winnicott, todavia, na maioria das vezes, o meio cura: os cuidados prodigalizados nessas oportunidades compensam a ausência de continente no tempo devido. Entretanto, em alguns casos,
se  foi ultrapassado o espaço de tempo em que o bebê aguarda o cuidado sem desesperar, será
necessário recorrer a algum atendimento especializado. Pensando nas peculiaridades desse caso, recorremos, mais uma vez, a Winnicott. Ele afirma que, diante de um meio pouco confiável, o bebê pode se tornar perito em observá-lo, com a finalidade de decifrá-lo. Torna-se, assim, tão competente em prever os acontecimentos, esmiuçando o rosto da mãe, quanto um marujo em prever o tempo examinando o céu. Sendo assim, o intelecto (pensar / saber) se torna mais importante que o experimentar, dificultando a integração corpo-psiqué. Traçando um paralelo com o método GDS, pode-se dizer que se configura uma
estrutura PM em excesso, sobre uma AM frágil. Vemo-nos às voltas com crianças extremamente capazes intelectualmente que, todavia, evidenciam uma vida afetiva atribulada ou empobrecida.
Eles perdem a genuinidade alcançada com a personalização, chegando mesmo a desenvolver defensivamente uma personalidade “como se”, um falso self. Este falso self esconde, protege o verdadeiro self, de qualquer nova agressão. A agitação e a agressividade podem se manifestar, então, como uma possibilidade de resposta à falha ambiental. De fato, Winnicott  liga o conceito de agressão às ideias de atividade e motilidade, sendo fundamental para a estruturação no desenvolvimento emocional. A atividade / motilidade viabiliza a descoberta do meio ambiente, porém, quando o meio ambiente invade o bebê, esta motilidade se manifesta como uma reação à invasão, e não mais como fonte de experiências individuais.
Segundo Struyf, “ao tomar consciência daquilo que o bebê não vivenciou, podemos fornecer-lhe, com precisão, algumas informações complementares. Trata-se de experiências, vivências e sensações que sejam suscetíveis de compensar as faltas”. Para a autora, estas experiências podem ser proporcionadas de inúmeras formas, em qualquer etapa da vida, de maneira concreta ou simbólica. A partir deste pressuposto, desenvolve-se toda uma forma de abordagem terapêutica, que buscará imprimir no corpo vivências positivas, no sentido de permitir ao indivíduo integrar suas sensações e se construir como um ser “existente”. Através de experiências ricas em cada uma das estações dos  eixos vertical (AM/PM/PA) e na tríade dinâmica (AL/PL/AP), será possível organizar estas estruturas no corpo e no psiquismo da criança, permitindo uma melhor constituição de sua imagem do corpo e, consequentemente, da sua relação
com o espaço.
Assim, no caso em questão, foi desenvolvido todo um trabalho de reconstrução da estrutura AM, sem perder de vista a necessidade de uma certa contenção PM. É importante deixar claro que, embora AM simbolize a noção de continente, de limites corporais, de contenção do ponto de vista afetivo, se faz necessária uma PM saudável para a contenção social representada pela observação das regras. Este tipo de contenção também confere à criança a sensação de segurança. De fato, a cada vez que a falta de limite no comportamento de Léo tinha como resposta uma atitude mais firme, ou até mesmo severa, por parte da fisioterapeuta, ele se acalmava e o vínculo terapeuta paciente parecia se estreitar. Se, por um lado, se fazia importante a imposição das regras, a escuta e a flexibilidade constituíam, igualmente, uma fonte de experiências positivas, isto é, os limites eram dados, porém sem intransigência. Ao final de cada sessão, era frequente o menino solicitar lápis e papel, para fazer um desenho. É bastante interessante constatar esta necessidade de expressão (PA), depois da construção das duas outras estruturas do eixo fundamental (AM e PM).
A partir de todo este cenário teórico, pode-se descrever uma terapêutica que, em linhas gerais, seguiu um percurso de estimulação da consciência do esqueleto e do contorno corporal, assim como de uma ampliação do repertório de movimento. Para tanto, foram realizadas práticas diversas, especialmente a percussão dos ossos e impressão de sensações sobre a pele (pelo toque direto ou através de objetos). Além disso, procedeu-se a vivências que envolviam a contenção, como, por exemplo, envolver o paciente em mantas e almofadas, criando uma resistência e solicitando que ele se desvencilhasse progressivamente. Este tipo de estratégia aborda diretamente a estrutura AM. Propostas de jogos psicomotores e proprioceptivos, com a utilização de obstáculos em um circuito, também eram recebidos com entusiasmo por Leo, que costumava inclusive solicitá-las ao chegar ao consultório de fisioterapia. Nestes jogos, eram trabalhados conceitos como equilíbrio, adaptabilidade, capacidade de reação, percepção motora, sensibilidade e apoio (“enraizamento”), de uma forma bastante lúdica, tanto com regras bem definidas como permitindo uma certa liberdade criativa. Ou seja, estimulava-se a estrutura PA(AP), com alguns elementosAM e PM.
Embora existam diversos aspectos que poderiam ser discutidos, no que diz respeito à evolução do tratamento de Leo, este artigo pretende fazer um recorte, no que tange à questão da construção da imagem do corpo. Com esta finalidade, será descrito um episódio, que podemos considerar emblemático, sob tal ponto de vista.
Após alguns meses de tratamento, foi realizada uma sessão que, como muitas outras, objetivou a consciência do corpo, com sua estrutura óssea e com a integração de suas diversas partes. Para tanto, procedeu-se primeiramente à percussão de todo o esqueleto. Em seguida, foi realizado um procedimento em terapia manual, em decúbito dorsal, que consistia em um deslizamento sobre a pele, da extremidade de um membro superior à extremidade do membro inferior oposto, invertendo a cada vez o lado, de forma contínua e relativamente vigorosa, passando sempre pela pelve, como centro de referência. De fato, não somente o centro de massa e de gravidade do corpo se localiza na região pélvica, como o método GDS preconiza que a pelve constitui a “encruzilhada” da biomecânica corporal, porta de entrada de tratamento em inúmeras situações. A passagem de tensão entre o lado direito e esquerdo se dá pela via das fibras superficiais dos músculos latíssimo do dorso e glúteo médio contra-lateral (respectivamente cadeias AL e PL), enquanto que, do mesmo lado, ela se dá pelas fibras profundas dos mesmos músculos (cadeia PM) .
No caso de Leo, este procedimento visava construir a sensação de interligação entre as extremidades, que se cruzam na pelve, no sentido de integrar a sensação global do corpo a partir de um centro bem estruturado. Ao final deste trabalho, o menino pediu para fazer um desenho. Tendo recebido, então, lápis
e papel, e ele se pôs a desenhar partes de um corpo: cabeça, tronco com membros superiores e membros inferiores. A fisioterapeuta logo percebeu que as partes estavam separadas. Foi surpreendida, entretanto, pela continuação: Leo, com seu fascínio pela matemática, incluiu, entre os segmentos, o sinal de adição. Em seguida, ao lado, colocou o sinal de “igual” e, finalmente, desenhou a figura completa, testemunha da sua inédita integração da imagem do corpo.
Leo concluiu sua obra escrevendo o nome da fisioterapeuta diversas vezes, tornando-a cúmplice da sua conquista. Com o desenrolar do tratamento, ao longo de quase um ano, Leo tornou-se
progressivamente mais calmo, menos refratário à aceitação de regras, melhor coordenado do ponto de vista motor, mais comunicativo. Infelizmente, a mãe interrompeu o processo precocemente.
Aliás, a psicoterapia também foi descontinuada na mesma época, como tantos outros tratamentos precedentes. A análise desta particularidade não cabe, entretanto, no escopo deste estudo que, como
mencionado anteriormente, pretende se ater ao recorte preciso da questão da imagem do corpo. Leo teria, contudo, um longo caminho a percorrer ainda, que talvez possa ser retomado em outras
terapias futuras.
Este episódio ilustra de maneira singular a importância de um trabalho corporal que contemple a criança de forma integral, sem desvincular os múltiplos aspectos envolvidos. O método GDS propõe uma abordagem que leva em conta o psiquismo e o comportamento, mesmo que a queixa primária seja “apenas” motora. No caso descrito neste estudo, a constatação da falha no desenvolvimento psicomotor levou a estratégias de tratamento que buscaram a reprogramação das estruturas básicas na construção do indivíduo, ou seja, das estruturas / cadeias do eixo vertical ou da personalidade. Todo este contexto permite refletir sobre o papel do fisioterapeuta frente a pacientes que apresentem dificuldades de ordem psico-comportamental, indissociavelmente ligadas a questões motoras. Os resultados obtidos apontam para a relevância de se adotar métodos fisioterapêuticos mais globalistas  – como é o caso do método GDS  – no tratamento de tais pacientes.


Fonte:
  • Renata U.; Aida U. Uma abordagem sobre a construção da imagem do corpo na criança a partir do método GDS de cadeias musculares.



terça-feira, 24 de abril de 2012

Efeito do Pilates nos distúrbios do sono




O sono é algo relacionado à sobrevivência da espécie, um estado natural inerente a vida dos organismos.  É uma necessidade fisiológica do ser humano, que tem como funções biológicas a restauração e a conservação da energia do organismo, permitindo uma estabilização física e emocional. 
No período de sono o organismo humano entra em repouso habitual e periódico. As características desse estado são: suspensão provisória da consciência, relaxamento dos sentidos e dos músculos, diminuição do ritmo circulatório e respiratório e presença de atividade onírica.  
Em função das exigências da vida moderna, problemas relacionados ao sono ocorrem devido ao excesso de trabalho, alimentação inadequada, vivência de emoções negativas e doenças nervosas, comprometendo assim a saúde de uma pessoa. Inúmeras pessoas têm passado por perturbações ou transtornos relacionados ao sono, como Transtornos Primários do Sono (decorrentes de anormalidades endógenas nos mecanismos 
de geração ou nos horários de sono/vigília e agravados por fatores de condicionamento); Transtorno do Sono relacionado a Transtorno Mental (transtorno de humor ou de ansiedade); Transtorno do Sono devido a uma condição médica geral e Transtorno do Sono induzido por substâncias (geralmente psicoativas)  
A qualidade de vida de uma pessoa depende, portanto, de um período de sono saudável, em virtude dos possíveis problemas que podem ocorrer. Um sono considerado normal é aquele que proporciona ao indivíduo uma sensação de bem-estar ou descanso físico e mental, com recuperação de energias, possibilitando-lhe ter condições adequadas e suficientes para execução das tarefas do dia a dia. 
A privação do sono tem como efeitos a diminuição do desempenho psicomotor, lapsos de atenção, dificuldades de concentração, redução da memória para acontecimentos recentes, mau humor, sensação de fadiga, irritabilidade e até estados confusionais. 
A população busca cada vez mais formas de viver melhor. A “qualidade de vida”, “bem estar”, “vida saudável”, são conceitos vigente nos dias atuais. Uma forma de combater o estresse, transtornos psicológicos e problemas de saúde em geral têm sido nos tempos atuais, a procura e o uso de serviços que recomendam e proporcionam melhoras e manutenção da saúde. Exercícios físicos praticados de forma regular promovem benefícios ao sistema cardiovascular, respiratório, endócrino e muscular, redução da depressão e ansiedade, e melhoria da qualidade e eficiência do sono.  
Uma das recomendações para a melhoria do sono pode ser o Método Pilates, que por meio de seus princípios e filosofia, promove sensações de tranquilidade, bem-estar e consciência corporal, sendo considerado um treinamento físico e mental.
Baseando-se em princípios da cultura oriental, como as noções de concentração, equilíbrio, percepção, controle corporal e flexibilidade, e da cultura ocidental, com sua ênfase relativa à força e ao tônus muscular, o Pilates caracteriza-se como uma tentativa de controle consciente e equilibrado dos músculos envolvidos nos movimentos.
Joseph Pilates definiu seu trabalho como perfeito equilíbrio entre o corpo, mente e espírito, garantindo assim boa saúde e desenvolvimento natural. 
A técnica de Pilates se divide em exercícios realizados no solo e em aparelhos. Todos eles favorecem o trabalho dos músculos estabilizadores, enquanto eliminam a tensão 
excessiva dos músculos e as compensações, envolvendo uma larga variedade de 
movimentos. 
Os exercícios de solo próprios do Pilates (Mat Pilates) servem de base e complemento para os exercícios em aparelhos, buscando principalmente o fortalecimento da musculatura abdominal e treino do padrão respiratório. Os exercícios seguem uma ordem pré-estabelecida, sendo que cada um deve ser tratado de acordo com a sua individualidade, ou seja, os exercícios são executados de acordo com suas necessidades, 
habilidades e limitações. 
Atualmente, percebe-se uma expansão de adeptos do Pilates por todo mundo, além de um crescimento de livros e textos publicados sobre o método. No entanto, há uma nítida carência de evidências científicas sobre as proposições do Pilates. A opção deste Estudo de caso deve-se ao fato de que tal modalidade, quando inserida em um contexto maior de pesquisa, serve para enriquecer o conhecimento científico da área, visto que permite, a partir de um olhar subjetivo, abrir diferentes possibilidades partindo do mesmo objeto de estudo. 
O objetivo geral do estudo consistiu em descrever os resultados do Mat Pilates nos distúrbios do sono de duas mulheres sedentárias.
Este estudo de caso teve caráter experimental, quantitativo e descritivo, e foi realizado com 2 voluntários do sexo feminino, com idade de 37 e 40 anos e diagnóstico clínico de distúrbio do sono. 
As sessões apresentavam sutis diferenças entre si, levando-se em conta as 
condições das pacientes no momento de cada sessão, e o aumento da dificuldade respeitou 
as características e habilidades individuais. 
Cada sessão era iniciada com 5 minutos de aquecimento, em eram realizados alongamentos leves e organização do padrão respiratório. 
Em seguida eram realizadas as séries para os estabilizadores, com duração de 15 minutos, seguindo o desenvolvimento neuropsicomotor, conceitos de pelve e coluna neutra, dissociação de cinturas e estabilização de tronco: básculas de quadril e cervical, dead bug e arcos do fêmur, dissociação de cintura pélvica, abdominal reto e oblíquo (cair para os lados), side kick, ponte simples e com organização de cintura escapular. 
A partir daí, dava-se início ao desenvolvimento, com duração de 30 minutos. Este momento era realizado baseado nos conceitos de estabilização dinâmica com organização de cintura escapular, articulação da coluna em todos os planos e eixos, descarga de peso em membros superiores e inferiores, integração de movimento e reeducação funcional (pré-spine stretch, flexão lateral da coluna, torção da coluna, extensão da coluna sentado, imprint da coluna, roll up, roll over, single leg stretch, double leg stretch, single leg circle, 
criss cross, single straight leg stretch, double straight leg stretch, hundred, mermaid, pré-swan, organização da cintura escapular em prono, swimming, the cat, rolling like a ball, open leg rocker). 
Para a finalização eram reservados 10 minutos, em que se aplicavam os exercícios de alongamento e relaxamento, dentre eles relaxando a cadeia cruzada, rolamento da coluna em pé, totalizando 60 minutos para cada sessão.
Com base nesse estudo, o Método Pilates pode ser uma ferramenta eficaz para os distúrbios do sono, sendo considerado um treinamento físico e mental. Por meio de seus princípios e filosofias, promove sensações de tranqüilidade, bem-estar e consciência corporal, além de trabalhar com exercícios onde a sobrecarga é aumentada até um nível ideal e gradativamente, sendo realizado com poucas 
repetições, o que leva a uma melhor resposta na qualidade do sono. 
Além disso, uma respiração otimizada mobiliza a coluna vertebral na região do tórax, provocando a mobilização do sistema nervoso autônomo que, dentre tantas outras atividades, é responsável pela digestão, reprodução, sono e relaxamento. 
O Método Pilates otimiza a respiração e potencializa a capacidade respiratória. Em todos os exercícios a respiração é enfatizada como instrumento para atingir qualidade na execução dos movimentos. O contrário também acontece, pois movimentos adequados com a região do tronco estimulam e ampliam a entrada e saída de ar dos pulmões.
A melhora da ansiedade ocorreu, possivelmente, pela mudança da capacidade respiratória (principalmente a expiração), pois se o indivíduo ansioso é capaz de aprender a expirar, pode-se, até certo ponto, modificar a sua condição energética diafragmática onde a ansiedade está contida. O Pilates mobiliza a musculatura desta região e, na medida em que a respiração é solicitada durante a execução dos exercícios, esta se torna um ato voluntário e consciente. Esta condição de consciência auxilia a pessoa ansiosa a perceber a sua 
respiração superficial e irregular. 
O Pilates, pelos valores obtidos nas avaliações, foi bastante efetivo da melhora dos roncos e do quadro de apnéia do sono, a qual se caracteriza por repetidas obstruções das vias aéreas superiores resultando em episódios de pausas respiratórias, diminuição da oxigenação sanguínea e fragmentação do sono. Uma das indicações para o tratamento destes distúrbios é a prática de exercícios físicos. Esta melhora se deu pelo trabalho respiratório exigido na prática dos exercícios, o que leva a uma grande melhora do padrão respiratório. 
Atualmente, existe pouca literatura específica sobre a área estudada, o que dificultou a elaboração de uma discussão mais completa sobre o assunto. 

CONCLUSÃO 
Diante dos resultados obtidos e identificados na comparação entre os dados da pré e pós-avaliação, conclui-se que o programa de Mat Pilates aplicado, mostrou-se uma importante ferramenta para a melhora do padrão e da qualidade do sono dos indivíduos envolvidos na pesquisa. 
Ao final da pesquisa, observou-se redução do tempo para iniciar o sono, aumento do tempo que permanecem dormindo, minimização da agitação durante o sono (inquietações, roncos e apnéia) segundo relatos do acompanhante, bem como, redução do uso de medicamentos. Em consequência desta grande melhora do padrão e da qualidade do sono, houve melhor rendimento profissional e bem estar físico e emocional.  
Tais resultados positivos são aplicáveis apenas nos casos estudados, mas podem dar indícios da efetividade desta técnica em outros indivíduos com tais distúrbios. Sugere-se, então, a realização de mais estudos experimentais sobre o Mat Pilates por um período de tempo mais longo e com um número maior de pessoas com este diagnóstico. 


Fonte: 

  • EFEITOS DO MÉTODO PILATES NOS DISTÚRBIOS DO SONO: ESTUDO DE CASO. Pollyanna, P.F.S, CEAFI PÓS-GRADUAÇÃO; Adroaldo J. C. J., Mestre em Ciências da Saúde.




 
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