domingo, 29 de janeiro de 2012

Power house - Pilates


Princípios do método de Pilates:

1. Concentração: mente e corpo interagindo.
2. Controle
3. Centro: Power House e alongamento axial.
4. Movimento fluido
5. Precisão
6. Respiração: preparar o movimento na inspiração e execução do movimento na expiração.

Vamos dar mais ênfase no 3º e 6º princípio, no centro, na nossa casa de força o "POWER HOUSE" e a respiração durante a prática do Pilates.

Músculo reto do abdome

Os dois músculos do reto do abdome formam duas faixas musculares estendidas na face anterior do abdome, de um lado e de outro da linha mediana.
Suas inserções superiores se efetuam nas quinta, sexta e sétima cartilagens costais, assim como no processo xifóide. 
A espessa faixa muscular que se segue às suas inserções, estreita-se gradualmente, intercalada por intersecções tendíneas: duas intersecções acima do umbigo, uma na altura do umbigo e uma abaixo. O músculo reto do abdome é então um músculo poligástrico. A largura do corpo muscular é nitidamente menor abaixo do umbigo para dar origem a um potente tendão que se fixa na margem superior do púbis, na sínfise púbica, enviando expansões para o lado oposto e em direção aos adutores. Os dois músculos retos do abdome são separados, na linha mediana, por um espaço mais largo acima do umbigo que abaixo: a linha alba.
Eles estão contidos em uma bainha aponeurótica, a bainha do músculo reto do abdome, formada pelas aponeuroses de terminação dos músculos largos das parede abdominal. 
A tonicidade dos grandes retos do abdome é, certamente, responsabilidade por manter o esterno vertical, enquanto o transverso controla a abertura do ângulo do Charpy e também o excesso de elevação do tórax inferior. 
Tudo que foi citado reproduz-se a cada contração inspiratória do diafragma. Notemos que todos os músculos ativos nessa ação fazem parte de um mesmo encadeamento musculoaponevrótico, descrito por Godelieve Denys- Struyf sob o nome de cadeia póstero- anterior (PA).

Músculo transverso do abdome

Os músculos transversos do abdome formam a camada mais profunda dos músculos largos da parede abdominal. Eles se inserem posteriormente no ápice dos processos transversos das vértebras lombares.
As fibras musculares horizontais caminham em sentido lateral e diretamente anterior e contornam a massa visceral.
O transverso do abdome controla a pressão intra-abdominal e a dirige para cima na inspiração, o que contribui para a ereção do tronco, de um lado, e evita o excesso de pressão na pequena bacia, de outro.
Ele suspende o esterno ao resto da caixa torácica, mas podemos também dizer que ele controla a elevação das costelas relativamente ao esterno.
Nos casos de tensão excessiva, ele pode entravar consideravelmente o jogo das costelas. 


Adutores e assoalho pélvico

Os feixes proximais dos adutores tem a ação e fáscia comum com a musculatura do assoalho pélvico. Na conscientização da contração do assoalho pélvico, essas fibras proximais agem como sinergistas para a contração e manutenção da mesma, para a prática do Pilates.



A fase expiratória

Ela corresponde ao relaxamento das ações musculares descritas acima, com exceção da vigilância vertebral. Em particular da região cervical. 
O que costumamos chamar de complacência torácica e que está, para citar Kapandji, "diretamente ligada à elasticidade dos elementos anatômicos do tórax e dos pulmões", leva a caixa torácica à sua posição inicial assim que ocorre o relaxamento das ações musculares descritas. 
Para melhor compreender este fenômeno, convém se deter um instante na fisiologia costal: o arco costal articula-se posteriormente com o disco intervertebral e a apófise transversa da vértebra inferior. Está articulado na frente como esterno por intermédio da cartilagem costal. 
As quatro primeiras costelas têm uma cartilagem própria cada uma, enquanto da 5ª à 10ª costela elas têm uma cartilagem em comum. As duas últimas não se articulam na frente (flutuantes).

A respiração forçada

A partir do que ocorre na respiração dinâmica natural, dois outros conjuntos musculares secundários vão intervir na respiração forçada. 
Quando aumentam as necessidades de oxigênio, a respiração forçada requer a intervenção de outros músculos, alguns dos quais pertencem a essas duas cadeias. Estes, como veremos, são recrutados a partir da ação dos músculos eretores da coluna vertebral e por intermédio de "músculos de revezamento" ou de ligação.

A respiração para reeducar


A respiração natural reflexa, como define Godelieve, necessita de uma grande liberdade articular e portanto, muscular, na caixa torácica e no conjunto do corpo. 
Em certos casos, somos levados a recorrer, no início do tratamento, a certas maneiras de respirar, não para educar, mas para liberar o corpo de suas tensões ou para obter uma ganho de mobilidade nas articulações torácicas. 
Quando um Mezierista pede ao paciente para estufar a barriga na expiração. Não se deve ver nisso um aprendizado de como respirar corretamente, mas simplesmente um modo se obter um certo aumento da mobilidade torácica para baixo. Essa é a respiração paradoxal do diafragma, para Françoise Mézières, todos os indivíduos tendem a estar bloqueados em inspiração. O expirar facilita o relaxamento pelo alongamento dos músculos envolvidos no bloqueio torácico em posição inspiratória. É por esta razão que, no método Mézières e o Pilates da Metacorpus, o tempo forte, ativo, é a expiração. Porém, por vezes, isso leva certos pacientes a pensar que somente a expiração é ativa. Trata-se na verdade de ganhar mais amplitude para a expiração e ter uma melhor ativação do Power House. 
Os músculos do Power House que se situam na região abdominal são os mesmos utilizados na manobra de valsalva. O que é manobra de valsalva? É uma manobra fisiológica onde se aumenta a pressão intra-abdominal fechando a glote, os esfíncteres  que ao  mesmo tempo utilizam as musculaturas do transverso e do reto abdominal para expulsão forçada do ar, assim aumentando a área de contato das descargas de peso efetuadas pela coluna lombar. Apesar desta manobra apresentar compensações fisiológicas negativas, ela é utilizada de forma instintiva quando se levanta um peso com os membros superiores do chão efetuando uma flexão do tronco.
Esta posição é uma postura onde o braço fixo da alavanca tende a resistir a um torque de 6 a 8 vezes maior do que o normal, incidindo vetores de força sobre o disco intervertebral L5-S1. A manobra entra neste momento servindo de suporte para a diminuição em até 50% do impacto compressivo e de cisalhamento proporcionado por esta alavanca. 
Considerando que a valsalva se utiliza de uma restrição expiratória total, o power house usa os mesmos músculos expiratórios efetuando uma expiração longa e controlada. Desta maneira, preconizando uma maior ativação deste grupo muscular citado, e se beneficiando da vantagem mecânica que o aumento da PIA proporciona quanto a diminuição do impacto da coluna lombar durante a estática e a dinâmica. Segundo Kapandji, simplesmente a manobra associa o fechamento da glote e de todos os orifícios abdominais, transformando, assim, a cavidade tóraco-abdominal numa cavidade fechada para a contração mantida dos músculos expiratórios e, especialmente, dos músculos abdominais. Deste modo, a pressão aumenta notavelmente na cavidade tóraco-abdominal e a converte numa viga rígida situada na frente da coluna vertebral que transmite as forças à cintura pélvica e ao períneo.
Neste mundo desumanizado, o homem, condenado a viver excessivamente no agir, não mais respira. As tensões musculares acumuladas progressivamente o encadeiam e entravam o jogo diafragmático. Toda emoção influi diretamente sobre o ritmo cardíaco e respiratório, assim como sobre o equilíbrio das pressões entre as duas cavidades, torácica e abdominal. 
O diafragma encontra-se entre os primeiros músculos afetados pela emoção. Ele também é atingido pela melancolia, pelo medo, pela angústia, pela cólera. Somente a alegria o libera. 
Certas expressões populares são reveladoras: 
"manter a respiração em suspenso"
"cortar a respiração"
"ficar sem fôlego"
"ficar sem ar".
Dizemos também a alguém que nos contraria: "me deixe respirar"!
Enfim, quantas coisas escondidas ressurgem frequentemente no momento da liberação do diafragma , criando embaraçosos ao terapeuta manual e necessitando, às vezes, de um acompanhamento psicoterapêutico paralelo. O diafragma, não seria como um vídeo gravado que contém a história da pessoa?  Essa história pode sufocá-la inconscientemente, e o corpo então necessita trapacear para poder ainda respirar. 
Liberar a respiração, não seria isso uma primeira etapa para a comunicação?
Então, respire adequadamente, contraia os músculos durante toda a prática do exercício de Pilates, fale isso com o seu instrutor, peça que ele explique como deve contrair o Power House, que isso vai dar proteção, segurança durante a prática e evitar lesões futuras ou ganho de estabilização que precisa ter para alívio das dores. 

Fonte:

  • Kapandji A. I., Fisiologia articular coluna vertebral, Guanabara Koogan, 6º edição, Rio de Janeiro 2008. 
  • .Campignion F., A Respiração para uma vida saudável, Summus 2ª edição, São Paulo 1998.
Imagens:
  • Google



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fotos novas do Mestre Joseph Pilates







































Fonte: Live magazine out 1951.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Osteoartrite X Pilates



A osteoartrite é um processo localizado que é marcado por estreitamento do espaço articular devido à destruição progressiva da cartilagem articular e à formação de osteófitos na margem articular. A osteoartrite pode causar dor à atividade ou ao repouso, limita a amplitude do movimento, altera a marcha do indivíduo e interfere com as atividades de lazer e as atividades de vida diária.
O tratamento pode exigir a substituição cirúrgica da articulação, dependendo da gravidade da lesão. O tratamento conservador inclui exercícios para a amplitude de movimento com o objetivo de recuperar a cinemática articular fisiológica. Exercícios de fortalecimento para a musculatura comprometida são realizados para reduzir as forças articulares, e também podem ser utilizados dispositivos de independência (ortopédicos) para diminuir as forças articulares sobre a cabeça do fêmur e o acetábulo.
Inúmeros dispositivos de apoio estão disponíveis, como bengalas, bengalas de quatro pontas, andadores, muletas, etc. O uso de uma bengala pelo lado não afetado reduz as forças que atuam sobre o lado afetado durante a marcha. A força de reação do solo, produzida como resultado da 'pressão para baixo' do peso corporal da mão sobre a bengala, cria um momento que ajuda a neutralizar o momento criado pela gravidade sobre o quadril afetado na postura unilateral.



Luxação congênita de quadril

As luxações congênitas do quadril podem ser explicadas como um defeito do desenvolvimento do quadril no período intra-uterino. Estudos em neonatos indicam que posições extremas do quadril durante o desenvolvimento do feto causam grande dano à cartilagem articular. O quadril não forma um fulcro fixo de rotação em torno dos quais os movimentos possam ser produzidos, de modo que o acetábulo pode não se desenvolver completamente e a cabeça do fêmur pode não apresentar a forma esférica.

Luxação traumática de quadril

As luxações traumáticas do quadril geralmente ocorrem a partir de uma força aplicada sobre o eixo longo do fêmur com o joelho em posição flexionada. O quadril sofre luxação posterior e se apresenta com flexão, rotação medial e adução do quadril. Esse tipo de luxação causa lesão capsular e ligamentar. As condutas terapêuticas para a luxação posterior traumática do quadril incluem o fortalecimento dos extensores, rotadores laterais e abdutores do quadril. O fortalecimento destes músculos específicos estimula a estabilidade da cabeça do fêmur no acetábulo.
O Pilates vai contribuir de forma favorável nas limitações e na melhora do tônus da musculatura reorganizando seu alinhamento, atuando na prevenção de crises futuras.

Fonte:

  • Konin, J.G. Cinesiologia prática para Fisioterapeutas, Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2006.
Imagens:
  • Google

Curso de Formação em Pilates Metacorpus Rio de Janeiro - Janeiro e Março/2012


 

Curso de Formação - Rio de Janeiro - RJ

Pilates: Uma visão atual na área da saúde


Meta do curso: Proporcionar aos profissionais da área da saúde uma nova visão sobre o mercado de atividade física e qualidade de vida, através de exercícios que conciliam condicionamento físico e terapia corporal com a finalidade de reequilibrar o corpo e cuidar de vários tipos de patologias músculo esqueléticas.

Podem participar do curso os profissionais e estudantes (a partir do 6°período) das áreas de Fisioterapia e Educação Física, e profissionais de áreas afins com consulta prévia à Metacorpus.

Inauguração do Novo Studio Metacorpus Pilates!


Local e data de realização: NOVO STUDIO METACORPUS COPACABANA - RUA BARATA RIBEIRO,668.
Turma de Janeiro de 2012:
20, 21 e 22 de Janeiro de 2012, Módulo I
27, 28 e 29 de Janeiro de 2012, Módulo II
Turma de Março de 2012:
09, 10 e 11 de Março de 2012, Módulo I
16, 17 e 18 de Março de 2012, Módulo II

Atenção! Ganhe 5% de desconto, fazendo sua reserva até 30 dias antes do início do curso

Carga horária: 120 a 200 horas/aula*
  • 80 horas/aula – 2 módulos teórico/práticos (de sexta a domingo em dois finais de semana)
  • 40 horas/aula - estágio supervisionado obrigatório
  • 80 horas/aula – estágio supervisionado opcional (sem custo adicional, desde que dentro do prazo)
* A hora/aula definida pelo MEC equivale a 45 minutos.
Prazo total para realização do estágio - 3 semanas para conclusão a contar da data inicial do curso, em dias de semana. 

O curso é ministrado de sexta a domingo, das 08:00 às 18:00. Durante os intervalos é servido coffee break. 

Conteúdo programático:
  • Princípios do Método
  • Avaliação Postural
  • Biomecânica dos Movimentos e seus diferenciais perante outras atividades.
  • Ações das cadeias musculares nos exercícios
  • Exercícios de Solo
    • Bola
    • Meia lua
    • Rolo
  • Exercícios nos aparelhos
    • Reformer
    • Cadeira
    • Wall unit
    • Trapézio
    • Ladder barrel
  • Exercícios para Propriocepção e Tração articular (Teórico-Prático)
  • Patologias
    • Abordagem Fisiológica e biomecânica
    • Principais patologias de coluna, ombro, quadril, joelhos, tornozelo
    • Indicações e contra-indicações dos exercícios
    • Estudos de casos clínicos reais
  • Técnicas para montar uma Aula
    • Objetivos
    • Diferenciação e adaptações dos exercícios
    • Dinâmicas de aulas com até 3 alunos
    • Público especial: Gestantes, Hipertensos, Atletas.
  • Associação de Técnicas de mobilização articular, kabat e RPG aplicadas ao Método Pilates.
  • Medicina preventiva
  • Como Montar um Studio
  • Estratégias de Propaganda e Marketing
  • Logística
  • Consultoria em Mercado de Trabalho
  • Avaliação


Equipe Ministrante: 
A Metacorpus possui uma equipe de instrutores altamente capacitados e treinados para ministrar os cursos em todo o país. Esses profissionais são selecionados entre os melhores do mercado, treinados e supervisionados pelos sócios-fundadores da Metacorpus, os fisioterapeutas Sérgio Machado e Michel Salgado, e escalados para cada um dos cursos. 

Instrutores supervisores:

Dr. Michel Henriques Salgado

  • Fundador e sócio da METACORPUS Studio Pilates
  • Fisioterapeuta do Inst. Nac. de Traumato-Ortopedia – INTO
  • Fisioterapeuta do Centro de futebol Zico de 2000 a 2002
  • Pós-graduado em Acupuntura
  • Formação em: Fisioterapia, Pilates, Kabat, Mulligan, Estabilização segmentar vertebral, Método Klein, Taping e Kinésio Tape.
  • Pilates: Pilates Method and Motor Control – ministrado por Debbie Creamer (MPA, SPA, APA, APMA)
  • RPG/RPM – José Luiz Zaparoli e Fabio Mazzola – Escola do Corpo

Dr. Sérgio Machado Cunha

  • Fundador e sócio da METACORPUS Studio Pilates
  • Formação em: Fisioterapia – Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação
  • Pilates: Pilates Method and Motor Control – ministrado por Debbie Creamer (MPA, SPA, APA, APMA)
  • RPG/RPM – José Luiz Zaparoli e Fabio Mazzola – Escola do Corpo Gestão na Saúde, séries ISO 9000, 9001, 9002 – Carlos Fajardo – Estácio de Sá
  • Ferramentas da qualidade e Índices de desempenho - Carlos Fajardo – Estácio de Sá
  • Curso de Chefia e Liderança – Renato Carneiro – UERJ
  • Trabalhos apresentados em Ergonomia e DORT - IBMR
A organização do curso se reserva o direito de substituir os palestrantes, sem comunicação previa, caso haja motivos de extrema necessidade. 

Informações Complementares 

Os participantes receberão material didático impresso e certificados quando da conclusão do curso. 

OBS: Os certificados só serão emitidos mediante o mínimo de 75% de freqüência, avaliação teórica e prática do conteúdo e o cumprimento total da carga horária de estágio supervisionado. 

*A Metacorpus se reserva o direito de cancelar o curso, caso não seja atingido o número mínimo de participantes. 


Entre em contato pelo email para garantir a sua vaga e fazer a sua inscrição:
Silvana Souza: silvanasouzafisio@hotmail.com ou
Diego Ramon: diego@metacorpus. com.br

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ballet na IstoÉ

Matéria da IstoÉ antiga, mas vale a pena conferir!!


Balé não tem idade

Em busca de boa forma, adultos passam a freqüentar as aulas de dança clássica nas academias

Carina Rabelo
Comportamento
Balé não tem idade
Em busca de boa forma, adultos passam a freqüentar as aulas de dança clássica nas academias

Carina Rabelo
i83688.jpg
Há menos de uma década, poucas escolas de balé clássico aceitavam alunos iniciantes com mais de 10 anos de idade. O senso comum recomendava que, para alcançar uma alta performance, era preciso começar aos 5 anos. Mas isso gerou, em muitos casos, uma fuga das sapatilhas. Quem começava cedo desistia por não suportar a disciplina do treinamento.
E os que sonhavam com a dança, mas não haviam feito aulas na infância, acreditavam ser tarde para começar.
i83689.jpgCom o objetivo de democratizar o balé - e garantir a sobrevivência da arte no País - escolas de dança ampliaram o acesso ao clássico. A cada ano, novas turmas para adultos iniciantes são criadas. "Os professores desmistificaram o rigor no treinamento e tornaram a dança mais prazerosa. A técnica clássica não é alterada, mas cada aluno trabalha de acordo com as suas possibilidades", explica Jean-Marie Dubrul, professor da academia Sauer Danças, no Rio de Janeiro. Ex-coreógrafo do corpo de baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Dubrul é um dos precursores no ensino de balé para adultos no País. Entre as suas alunas mais assíduas, estão as atrizes Alinne Moraes, Letícia Spiller, Paula Burlamaqui e Carolina Dieckmann, que descobriram o poder da prática no condicionamento físico.
Mas não só as globais perceberam os benefícios da dança. Há um mês, a psicóloga Cláudia Greco, 41 anos, começou a freqüentar as aulas da Sala Crisantempo, em São Paulo, e já sente os resultados. "O corpo fica mais flexível e ajuda na postura", afirma Cláudia, que não consegue ser assídua nas academias de ginástica. "Detesto malhação. Já tentei três vezes, mas nunca dá certo. No balé é diferente. A gente se exercita ouvindo música clássica. É maravilhoso", diz. A pedagoga Lucy Visani, 71 anos, dança desde os 15 anos, apenas pelo prazer. "As pessoas não acreditam que eu ainda faça aulas, um preconceito tipicamente brasileiro. Quando viajo para Paris e Nova York, freqüento cursos com gente de todas as idades", conta a aluna do Ballet Stagium, em São Paulo. As turmas reúnem iniciantes e ex-alunos. Segundo os professores, a heterogeneidade não compromete o desempenho. "O fundamental é fazer o movimento com consciência. Não existe essa coisa de ter que acertar ou fazer igual ao outro", comenta Beth Bastos, professora da Sala Crisantempo.
O balé também tem seus trunfos sobre a saúde. A artista plástica Jônia Guimarães, 47 anos, caiu na dança após uma crise de artrose. "O clássico de hoje trabalha a consciência corporal no aluno. Aprendemos a lidar com os ossos e músculos do nosso corpo", afirma. O benefício é comprovado pela ciência. Pesquisa recente divulgada pela Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, revela que o balé condiciona melhor o corpo que a natação, a campeã do título "o esporte mais completo do mundo". De acordo com os dados, os bailarinos ganham dos nadadores na rapidez dos reflexos, flexibilidade, salto, percentagem de gordura e equilíbrio corporal e psicológico. O benefício para a mente é certo. "É uma ótima maneira de trabalhar a auto-estima da pessoa, ensiná-la a se soltar. Na dança, o desprendimento é mais importante que a técnica", aposta a professora Geralda Bezerra de Araújo, 70 anos, do Ballet Stagium, que elabora o livro O sol nasce para todos, em que reúne histórias de bailarinos que provam que nunca é tarde para dançar.
i83690.jpg

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Uma proposta de inclusão do método GDS no tratamento multidisciplinar da anorexia nervosa



Este artigo propõe a inclusão da terapia corporal baseada no método GDS no tratamento multidisciplinar da anorexia nervosa. A conduta usual do tratamento esta relacionada com a sua complexidade. A etiologia dos transtornos alimentares é constituída por um conjunto de fatores em interação, que envolvem componentes biológicos, psicológicos familiares e sócio-culturais. Tais aspectos determinam as dimensões necessárias na abordagem do tratamento desses transtornos. Isso porque a complexidade da condição clínica exige uma abordagem integrada e multiprofissional. Uma equipe composta por psiquiatra, clínico geral, psicólogo e nutricionista é o alicerce do tratamento, sobretudo em esquema ambulatorial e hospitalar. 
Existem três categorias de transtornos alimentares: anorexia nervosa (AN), bulimia e obesidade. O foco deste artigo será na anorexia nervosa, que é um transtorno alimentar caracterizado principalmente pela limitação da ingestão de alimentos devido à ideia "obcecada" de ser magra, aliado a um medo exarcebado de se ganhar peso chegando ao extremo de recusa alimentar. 
Segundo o DMS IV, a AN é caracterizada por: perda acentuada de peso, medo mórbido de engordar e alterações endócrinas.
O SID. -10 descreve como:
- o peso corporal é mantido em pelo menos 15% abaixo do índice de massa corporal esperado
- a perda de peso é auto-induzida
- transtornos endócrinos generalizados, hipotalâmico-hipofisário-gonadal.
- distorção de imagem corporal 
- início geralmente puberal.
Basicamente, na literatura médica, distingue-se dois tipos de anorexia nervosa: a do tipo restritivo e a do tipo compulsão periódica/purgativa. Na grande maioria, são mulheres que mesmo após perder muito peso, ainda permanecem com esse medo de engordar. A imagem corporal que elas possuem de si apresenta-se distorcida: mesmo estando magras, se percebem "gordas".
Estão presentes nesses transtornos rituais diários de controle de peso: pesar-se várias vezes ao dia, fazer medições do corpo e calcular a quantidade de calorias ingeridas. A manifestação pode variar de leve até casos fatais e é considerada pela psiquiatria uma "doença mental", mas com consequências físicas certíssimas e muitas vezes irreversíveis, que atinge 90% mulheres.
O corpo, na anorexia, quando na ausência de calorias, passa a se alimentar de suas próprias proteínas alimentares, ocasionando irregularidades no ritmo cardíaco ou mesmo uma insuficiência cardíaca. Apresentam queixas de constipação intestinal, dor abdominal, hipotermia (intolerância abaixo temperatura ambiente), pele ressecada e de aparência pálida, amenorréia (nas mulheres), diminuição do útero. Há também os sinais comportamentais que denotam uma grande preocupação: dificuldade de comer na presença de outras pessoas, hábitos alimentares diferentes como cortar o alimento em pedaços minúsculos , perfeccionismo, depressão, irritabilidade, mudanças constantes de humor, isolamento social, manias obsessivo-compulsivas (limpezas, organização...) e dificuldades de relacionamento.
Apesar de vários "grupos de risco", vemos cada vez mais casos de anorexia associados ao mundo da moda e dança, profissionais que tem alta exigência de que o corpo seja "magro e esguio". O padrão de beleza atual é rígido e cruel. Mulheres ávidas por um corpo esbelto e sem curvas travam uma verdadeira luta com seu próprio corpo.
A mulher moderna, sob ponto de vista sócio-cultural, está diante de uma enxurrada de informações veiculadas principalmente pela mídia que traz a seguinte mensagem: temos que ser  belas, jovens e saudáveis! Graças também a elas, convivemos com a tirania da perfeição física e do não envelhecimento. As revoluções femininas apontam conquistas e também armadilhas. Ao mesmo tempo em que a mulher conquistou o mercado de trabalho e a liberdade de escolha quanto ao momento da maternidade, existe hoje a busca de um corpo perfeito e, ainda que de uma forma diferente, a mantém num lugar de submissão. "Na contemporaneidade, o corpo idealizado é o corpo do consumo, nisso o sujeito é inserido na engrenagem de um sistema de consumo que lhe impõe ter desejos. Desejos que não deverão ser nunca satisfeitos, pois é do desejar sempre mais, sempre outra coisa, que esse sistema de consumo se alimenta. Já não se trata da máquina de produção que se alimentava de corpos, mas da lógica do consumo que alimenta sujeitos nunca saciados. 
Com isso, no lugar do indivíduo anônimo se instala o valor do indivíduo diferenciado, que se destaca dos outros, de imediato, pela sua aparência. Uma aparência da qual se assume ser a vitrine mais evidente e inequívoca do sujeito. Em pleno domínio da ditadura da aparência".
O ideal de beleza feminina passou a valorizar a busca de uma identificação com aquelas mulheres lindamente penteadas, maquiadas e magérrimas que a mídia faz questão de mostrar e não com a busca de uma identidade e de um corpo, que são individuais. Na busca de um ideal nos perdemos nos corpos do parecer. A beleza tornou-se um dever moral, saiu do âmbito físico.

A onda da consciência deve ser vivenciada em uma determinada cronologia: existir, construir e agir, ou seja, AM, PA e PM.
Para a autora a doença não existe, o que existe é uma dificuldade em realizar o projeto de base. E os transtornos alimentares tem ressonância com a não realização de um projeto PA (póstero-anterior), um ideal a ser construído e alcançado, de beleza, eixo e de ser. 
A primeira onda AM (ântero-medial), da criança, é vivida na família. Mas é na adolescência que se inicia a segunda onda PA-AP (sexualidade). Por isso, para se vivenciar esta estrutura, a anterior deve estar alimentada, dando base para esta construção.
Portanto, na anorexia poderíamos pensar na falta de uma boa maturação da estrutura AM, que é a estrutura responsável pela formação do ego e que dá a noção de existir, intimamente ligada à sensação corporal. O AM precisa de presença física, contato e estrutura. Tem urgência em sentir-se a si mesmo. Busca "um invólucro que lhe dê segurança, construído de múltiplas maneiras no seio do casulo familiar, ao redor da filiação racial, de suas tradições e ritos ancestrais. 
Está ligada ao reconhecimento de si, e ao sistema imunológico, com a "ajuda" de outra estrutura (AL).
No bebê, o sistema cenestésico predomina de modo absoluto, é a idade da mais profunda não-diferenciação, na qual o afeto e o percepto ainda são um só. Mas somente em idades subsequentes que poderemos compreender o papel desempenhado pelos afetos na percepção.
A sensibilidade mais a imagem conduzem ao gesto justo.
a ausência de imagens é, para o cérebro, uma ausência de referência que comporta um risco de exatidão.
A boa construção do eixo e da individualidade depende de imagens justas e de uma sensibilidade corporal desperta. 
Na anorexia, o corpo desencarnado "pede" a construção integral da unidade corpo/mente. Unidade esta que necessita da construção de uma bacia (base) para o crescimento do eixo vertebral, necessita a validação sensória para a construção da individualidade. Gerando um desenvolvimento com independência e com intimidade (com os outros e com si mesmo).  

Fonte:
  • Revista Olhar GDS, As cadeias musculares GDS e suas aplicações terapêuticas, 2007, nº1.
Imagem:
  • Google

 
Design by Free Wordpress Themes | Bloggerized by Free Blogger Templates | Walgreens Printable Coupons